sábado, 11 de junho de 2016

Melancolia...

... é quando as pessoas da tua infância começam a sair da tua vida, principalmente por velhice. É sentir que cada um que parte leva consigo as memórias do que foi. É saber que não vão deixar memória na memória dos teus filhos. É saber que vais passar pelas casas e sentir o vazio, não só o que está dentro, mas principalmente o que fica no coração. 
A tristeza de ver partir as pessoas mais velhas é em parte egoísta: ficamos tristes porque ao partirem, parte também a nossa infância e juventude, marcando indelevelmente o facto de, também nós, nós estarmos a encaminhar para a velhice. Não ficamos tristes pelos que partem, deixando atrás de si uma vida cheia e bem vivida. Ficamos tristes por nós que perdemos as pessoas da nossa memória. 

Não falo de quem perdemos cedo demais. Falo de quem, com mais de 90 anos é sem ser, pois o que faz de si a pessoa que é já não habita entre nós. E desce a melancolia. 


sábado, 26 de março de 2016

Semana da Doula

Há muita gente que me pergunta "mas o que é isso de doula?" 

Nos países anglofonos, a doula é tida como uma "profissional do parto", nao sendo de todo uma profissional de saúde. Acompanham a gravidez da mulher (e às vezes até antes da gravidez), o parto e o pós parto, com informação e apoio, empatia e companheirismo. São conselheiras (na medida em que dão conselhos) e como misters, pois estão sempre lá a insentivar, mas não fazem nada nem tomam decisões pelas mães e companheiros. 

As doulas são as coaches originais. Quando ainda não se falava de coaching em Portugal, já havia doulas. Não há boa tradução para Português, por isso, e como uma imagem vale mil palavras, fica aqui a explicação do que é uma doula. 

Seria bom se, quem teve ou tem uma doula, pudesse dizer o que é ela para si, com uma palavra. 


segunda-feira, 21 de março de 2016

A Páscoa começa...

A Semana Santa começa no Domingo de Ramos, uma semana antes do Domingo de Páscoa. Para nós, há vários anos que começa com a celebração do Seder Pascal, a invocação da cerimónia Judaica da Páscoa que Jesus celebrou antes de morrer. 


Mas este ano vestimo-nos a rigor. :)


E claro q das irmãs Franciscanas adoraram o bebé fofinho e gordinho e risonho que nos acompanhou. Para uma cerimónia deste tipo, os manos mais velhos ficariam irrequietos e aborrecidos. 

Há algo de reconfortante nas celebrações intemporais, que fazem memória do tempo dos profetas e dos primórdios do uniteismo. Tal como partilhar estes momentos com irmãos espirituais enche o coração e a alma. 

Boa Páscoa. 



domingo, 20 de março de 2016

Dormir juntinhos, juntinhos.

Em inglês co-sleeping é dormir no mesmo espaço que os nossos filhos. É diferente de bed sharing que é a partilha da cama. Há regras bastante claras sobre como partilhar a cama com as crianças desde bebés que tornam este acto bastante seguro. Está também provado que partilhar a cama promove e facilita a amamentação, fazendo com que seja mais fácil amamentar durante a noite. 

Sabendo isto, sempre achei natural que os bebés partilhassem a cama dos pais em algum momento. Mas o meu G desde o mês e meio que dorme a noite toda. TODA! Claro que houve a altura dos terrores noturnos, em que acordava a gritar como se o estivessem a matar. E houve as noites de doenças em que vinha para nossa cama para mais facilmente dar um xarope ou antibiótico às 3 da manhã. Mas aquela santa alminha sempre dormiu como um calhau, graças aos bons genes do pai. 

O 2G já não foi assim. Até aos 2 anos tivemos um mini aquecedor entre nós. Que o rapaz é quente. Muito quente. 
Durante 1 ano, desde o verão dos 2 para o verão dos seus 3 anos, partilhou a cama com o mano. Até que este se fartou das cotoveladas e joelhadas e passou para a cama de cima. 
Agora que anda na fase dos terrores, muitas vezes pede para dormir conosco. Ou quando está com febre e pede água de meia em meia hora. 

O mais pequeno, com a graça de Deus, lá terá os genes do pai e também dorme 7/8 horas seguidas desde que tinha semanas. Com o peso a aumentar que nem o texugo (compensa e mama o que tem a mamar durante o dia!) nunca houve problema em deita-lo na cama dele e só passar para a nossa às 5/6 da manhã para aproveitar o resto da noite no quentinho. 

Esta semana o 2G voltou a ter febre. Eu já disse que ele é quente?! Imaginem com 38,5ºC! EU acordava a suar! E a partir das X da madrugada ficava entre o aquecedor de quase 4 anos e o mini aquecedor de quase 6 meses, grudado na mamoca. Que CALOR!!!!

Fazer partilha de cama pode salvar a amamentação e até a sugiro a muitas mães que me procuram. Não sou fundamentalista, mesmo conosco. Partilhamos a cama com eles quando dá jeito, quando é cómodo, e não por princípio ou porque "tem de ser". E é nestas semanas de gente super quente que eu fico feliz por as febres baixarem, os terrores irem embora, não haver surtos de crescimento e eu poder ter a cama toda para mim!!

E para o pai, claro. 

E para a gata, vá. 

Até as 5 da manhã. 

Enfim. 

domingo, 13 de março de 2016

Escolas na floresta

Há muitos anos li o livro "Under pressure - rescuing our children from the culture of hyper-parenting" de Carl Honoré (2008) que é um dos pontos de partida para este blog. Um dos assuntos que me chamou a atenção, no livro, foram as escolas na floresta. Investiguei um pouco e fiquei a saber que ainda eram poucas e, claro, todas no norte da Europa.

ha pouco tempo enviaram-me um email com esta reportagem onde dizem a importância de as crianças sentirem frio, se sentirem molhadas, e sobreviverem a isso. E é maravilhosos.
O pedagogo diz que em 17 anos levou apenas uma criança ao hospital. A razão? O pai passou-lhe com uma roda em cima do pé. Depois de ver as crianças subir ao topo de uma arvore, esta afirmação é espantosa.

Quem me dera que houvesse mais escolas em florestas, perto de riachos. Quem me dera que os nossos miúdos não passassem o dia enfiados em salas porque "está a chover" ou "está vento", e muitos deles quando vão ao recreio é um quadrado de cimento com brinquedos de plástico e chão de borracha.

Pode ser que um dia....

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Cresce mais devagar sff.

Parece que demora imenso tempo. Tudo. Até aprender a mamar. Até dormir uma noite seguida. Até dar um sorriso. Até dar uma gargalhada. Até ficar 5 min distraído com os brinquedos. 

E, de repente, de um dia para o outro, senta-se direito na cadeira. Sem apoio, sem entortar. Direitinho. 


E ficamos a pesar "Bolas. Já?"

Não me lembro de um "finalmente" quando eles ganham uma nova capacidade. Lembro-me sempre de pensar que é mais um passo para deixar de ser bebé, deixar de ser nosso. 

Estamos tanto tempo a antecipar quando eles fazem certa coisa para depois ter pena por já a fazer. É que cada coisa que fazem é mais um passo para longe de nós. 

E agora vou ali cheirar a sua cabecinha de bebé. Não falta muito para deixar de ter aquele cheirinho característico e tenho de aproveitar. :)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

As dietas das amamentadeiras

Houve há pouco tempo uma publicação a circular, da sociedade pediátrica brasileira, que alertava para que o que as mães que amamentam comem passa para o leite do bebé. Esta campanha, aparentemente bem intencionada para que as mães comam de forma saudável, é de facto particionada por uma marca conhecida de alimentação infantil. Aliás, quer a Sociedade pediátrica brasileira como a portuguesa são patrocinadas às claras por esta marca.
Haverá forma mais segura de minar a confiança da mãe na amamentação do que culpa-la por não estar a comer bem?

Na verdade, claro que as mães (enfim, TODA a gente) deve comer bem e de forma saudável. Mas não o fazer não significa que o leite materno vá fazer mal ou vá ter menor qualidade. Muito pelo contrário! Mães mal nutridas conseguem alimentar bem os seus bebés com o seu leite. Diz a UNICEF que  "Se a mãe está moderadamente mal nutrida, ela continuará a produzir leite de boa qualidade, melhor que qualquer leite artificial. Se ela está severamente mal nutrida, a quantidade do leite produzido em cada mamada pode diminuir. Em ambos os casos, para a saúde quer da mãe quer do bebé. é mais seguro e melhor alimentar a mãe adequadamente enquanto a ajudamos a continuar a amamentar". O mesmo é referido no site Kellymom, referência mundial sobre aleitamento materno.

Afinal, se vamos acreditar na campanha e se o nosso filho é o que nós comemos porque ele é alimentado com o nosso leite, então os bebés que bebem leite artificial que é feito a partir do leite de vaca, são o quê? Erva? Pois...

Culpar a mãe por comer fast food ou por beber um café ou tomar um copo de vinho esporadicamente (que não faz assim tão mal, como dizem o Dr Jack Newman e o Dr Carlos González, este no seu livro Manual pratico sobre aleitamento materno) quando está a amamentar só demonstra desconhecimento sobre como funciona a amamentação e os benefícios que o leite materno tem sobre todas as outras opções.

E o que dizer dos alimentos a evitar enquanto se amamenta? Ele varia consoante a zona do país e, claro, o país onde se está. "Tens de evitar feijão, grão, couves, brócolos, leite, farináceos, batatas, café, água com gás (!), enchidos, peixes gordos, carnes vermelhas, caril, chá, laranjas, chocolate...." Ele é todo um rol de coisas que supostamente temos de evitar por causa das cólicas ou porque pode fazer mal ao nosso bebé por estarmos a dar de mamar...

Sejamos frontais: amamentar não é uma prisão! Não é preciso deixar de comer tudo porque temos medo que... Se um dia comemos alguma coisa e notoriamente o nosso bebé reage a ela, então sim, vamos fazer o teste e evitamos essa coisa durante uma semana e depois revemos se foi mesmo a isso que o bebé reagiu ou se foi apenas o alinhamento dos astros. Em principio o que comemos na gravidez podemos continuar a comer a amamentar pois o bebé já foi exposto aos alimentos.

Agora com licença que vou ali almoçar. ;)

http://www.babycenter.com/0_diet-for-a-healthy-breastfeeding-mom_3565.bc