quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Feliz Natal 2016 - em liberdade e paz 🎄

     É aquela altura do ano em que desejamos coisas boas uns aos outros... E ainda bem que assim é! Porque somos livres de celebrar o Natal como quisermos, ou não celebrar se o desejarmos, e desejar coisas boas aos amigos... e não tão amigos, se seguirmos mesmo o que Jesus ensinou.

http://nhne-pulse.org/mary-breastfeeding-jesus-christmas-missing-icon/slide_269060_1867557_free/

    Enquanto andávamos de carro, o Gabriel perguntava porque é que há tantas coisas com o nome "25 de Abril". Tentei explicar, o melhor que consegui para a sua cabeça de 7 anos, o que é a liberdade e, mais difícil, o que é não ter liberdade. Para quem nasceu e cresceu em liberdade, é complicado compreender o que é a sua falta. Tal como quem cresceu com comida na mesa, é complicado perceber o que é a fome real de quem não come nada decente há semanas. Ou para quem tem uma escola onde "tem" de ir todos os dias, é complicado compreender a benção que é poder ir a uma escola que tem condições de habitabilidade, ainda que com todos os problemas que possam existir, mas onde ninguém impede ninguém de estudar, onde há telhado, livros, professores e comida a horas certas.

     Liberdade é isto, é poder afirmar que se tem religião, mesmo sabendo a história da mesma, escolhendo querer seguir esta, como poderia querer seguir outra qualquer. Simplesmente porque podemos escolher. Ter uma religião, escolhe-la e ensina-la aos nossos filhos não é limitativo, não é castrador, não é restritivo. É a mais alta expressão da liberdade que temos, em 2016, em Portugal.
    
     Por isso, visto que a liberdade não se celebra só em Abril, Grata pela Liberdade! 🙏

http://consciencianegracem03.blogspot.pt/

🎄Feliz Natal! 🎄



terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Por todas as Alepos deste mundo

Enquanto o miúdo mais velho brinca com a amiga e o irmão mais novo pela casa, ouço na rádio as noticias sobre Alepo, na Síria, e como os vencedores fazem o que fazem geralmente - matam indiscriminadamente os vencidos, incluindo mulheres e crianças.

 Podia ter escolhido qualquer das milhares de imagens de crianças de Alepo, crianças tristes, feridas, mortas... preferi ainda assim a esperança desta foto, em que pelo menos estão vivos e juntos da sua família.

Enquanto as minhas crianças, seguras, bem alimentadas, confortáveis, felizes e livres, brincam em casa, penso nas 100 mil crianças que não tiveram infância, que só o que conhecem é o ruído das bombas, a destruição das ruas, os escombros como local de brincar (e muitas vezes, sepultura). Há 5 anos, cinco longos anos, que aquela gente não tem paz. São 5 anos de não escola, de não comida, de não água limpa, de não trabalho, de pura sobrevivência e de puro terror. São mais de 5 anos de gente a fugir (estimam-se que cerca de 9,5 milhões de pessoas, quase a totalidade da população portuguesa, tenham fugido do país), desesperada para encontrar algo que se assemelhe a uma normalidade, a um recanto com paz.
Uns apenas encontraram a morte no fundo do Mediterrâneo. Outros estão enclausurados em campos de refugiados, que mais parecem de concentração,  enclaves humanos em países que não os aceitam, que não os querem e que preferiam que não existissem.

O antigo mercado (souk) d Alepo. Antes e depois...

A guerra da Síria sempre me meteu confusão. Sim, como todas as guerras, mas esta em particular por se tratar de um país berço da civilização. Não de "uma civilização" mas DE TODA a civilização ocidental. Um país com riquezas patrimoniais, arquitetónicas e históricas, que remontam a milhares de anos antes de Cristo, e que hoje estão reduzidas a cinza. Cidades como Alepo ou como Damasco, que foram praticamente reduzidas a pó. Ou a antiquíssima Palmira, classificada como património mundial pela UNESCO, nas mãos dos malucos extremistas, completamente destruída porque... Sabe-se lá porquê!! A loucura não se justifica.

Hoje, num dia como qualquer outro, de um ano como qualquer outro, no caminho que todos os cristãos fazem para preparar o Natal, acendo uma vela por todas as vitimas, vivas e mortas, muçulmanas e cristãs, em Alepo e em todas as cidades em guerra, porque não posso fazer mais nada... em particular pelas crianças, que não percebendo nada disto, são as que mais sofrem....

قد تجد السلام
Que encontrem a Paz 

sábado, 11 de junho de 2016

Melancolia...

... é quando as pessoas da tua infância começam a sair da tua vida, principalmente por velhice. É sentir que cada um que parte leva consigo as memórias do que foi. É saber que não vão deixar memória na memória dos teus filhos. É saber que vais passar pelas casas e sentir o vazio, não só o que está dentro, mas principalmente o que fica no coração. 
A tristeza de ver partir as pessoas mais velhas é em parte egoísta: ficamos tristes porque ao partirem, parte também a nossa infância e juventude, marcando indelevelmente o facto de, também nós, nós estarmos a encaminhar para a velhice. Não ficamos tristes pelos que partem, deixando atrás de si uma vida cheia e bem vivida. Ficamos tristes por nós que perdemos as pessoas da nossa memória. 

Não falo de quem perdemos cedo demais. Falo de quem, com mais de 90 anos é sem ser, pois o que faz de si a pessoa que é já não habita entre nós. E desce a melancolia. 


sábado, 26 de março de 2016

Semana da Doula

Há muita gente que me pergunta "mas o que é isso de doula?" 

Nos países anglofonos, a doula é tida como uma "profissional do parto", nao sendo de todo uma profissional de saúde. Acompanham a gravidez da mulher (e às vezes até antes da gravidez), o parto e o pós parto, com informação e apoio, empatia e companheirismo. São conselheiras (na medida em que dão conselhos) e como misters, pois estão sempre lá a insentivar, mas não fazem nada nem tomam decisões pelas mães e companheiros. 

As doulas são as coaches originais. Quando ainda não se falava de coaching em Portugal, já havia doulas. Não há boa tradução para Português, por isso, e como uma imagem vale mil palavras, fica aqui a explicação do que é uma doula. 

Seria bom se, quem teve ou tem uma doula, pudesse dizer o que é ela para si, com uma palavra. 


segunda-feira, 21 de março de 2016

A Páscoa começa...

A Semana Santa começa no Domingo de Ramos, uma semana antes do Domingo de Páscoa. Para nós, há vários anos que começa com a celebração do Seder Pascal, a invocação da cerimónia Judaica da Páscoa que Jesus celebrou antes de morrer. 


Mas este ano vestimo-nos a rigor. :)


E claro q das irmãs Franciscanas adoraram o bebé fofinho e gordinho e risonho que nos acompanhou. Para uma cerimónia deste tipo, os manos mais velhos ficariam irrequietos e aborrecidos. 

Há algo de reconfortante nas celebrações intemporais, que fazem memória do tempo dos profetas e dos primórdios do uniteismo. Tal como partilhar estes momentos com irmãos espirituais enche o coração e a alma. 

Boa Páscoa. 



domingo, 20 de março de 2016

Dormir juntinhos, juntinhos.

Em inglês co-sleeping é dormir no mesmo espaço que os nossos filhos. É diferente de bed sharing que é a partilha da cama. Há regras bastante claras sobre como partilhar a cama com as crianças desde bebés que tornam este acto bastante seguro. Está também provado que partilhar a cama promove e facilita a amamentação, fazendo com que seja mais fácil amamentar durante a noite. 

Sabendo isto, sempre achei natural que os bebés partilhassem a cama dos pais em algum momento. Mas o meu G desde o mês e meio que dorme a noite toda. TODA! Claro que houve a altura dos terrores noturnos, em que acordava a gritar como se o estivessem a matar. E houve as noites de doenças em que vinha para nossa cama para mais facilmente dar um xarope ou antibiótico às 3 da manhã. Mas aquela santa alminha sempre dormiu como um calhau, graças aos bons genes do pai. 

O 2G já não foi assim. Até aos 2 anos tivemos um mini aquecedor entre nós. Que o rapaz é quente. Muito quente. 
Durante 1 ano, desde o verão dos 2 para o verão dos seus 3 anos, partilhou a cama com o mano. Até que este se fartou das cotoveladas e joelhadas e passou para a cama de cima. 
Agora que anda na fase dos terrores, muitas vezes pede para dormir conosco. Ou quando está com febre e pede água de meia em meia hora. 

O mais pequeno, com a graça de Deus, lá terá os genes do pai e também dorme 7/8 horas seguidas desde que tinha semanas. Com o peso a aumentar que nem o texugo (compensa e mama o que tem a mamar durante o dia!) nunca houve problema em deita-lo na cama dele e só passar para a nossa às 5/6 da manhã para aproveitar o resto da noite no quentinho. 

Esta semana o 2G voltou a ter febre. Eu já disse que ele é quente?! Imaginem com 38,5ºC! EU acordava a suar! E a partir das X da madrugada ficava entre o aquecedor de quase 4 anos e o mini aquecedor de quase 6 meses, grudado na mamoca. Que CALOR!!!!

Fazer partilha de cama pode salvar a amamentação e até a sugiro a muitas mães que me procuram. Não sou fundamentalista, mesmo conosco. Partilhamos a cama com eles quando dá jeito, quando é cómodo, e não por princípio ou porque "tem de ser". E é nestas semanas de gente super quente que eu fico feliz por as febres baixarem, os terrores irem embora, não haver surtos de crescimento e eu poder ter a cama toda para mim!!

E para o pai, claro. 

E para a gata, vá. 

Até as 5 da manhã. 

Enfim. 

domingo, 13 de março de 2016

Escolas na floresta

Há muitos anos li o livro "Under pressure - rescuing our children from the culture of hyper-parenting" de Carl Honoré (2008) que é um dos pontos de partida para este blog. Um dos assuntos que me chamou a atenção, no livro, foram as escolas na floresta. Investiguei um pouco e fiquei a saber que ainda eram poucas e, claro, todas no norte da Europa.

ha pouco tempo enviaram-me um email com esta reportagem onde dizem a importância de as crianças sentirem frio, se sentirem molhadas, e sobreviverem a isso. E é maravilhosos.
O pedagogo diz que em 17 anos levou apenas uma criança ao hospital. A razão? O pai passou-lhe com uma roda em cima do pé. Depois de ver as crianças subir ao topo de uma arvore, esta afirmação é espantosa.

Quem me dera que houvesse mais escolas em florestas, perto de riachos. Quem me dera que os nossos miúdos não passassem o dia enfiados em salas porque "está a chover" ou "está vento", e muitos deles quando vão ao recreio é um quadrado de cimento com brinquedos de plástico e chão de borracha.

Pode ser que um dia....