sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Os bebés são simples.

Tantas mães cansadas que "reclamam" que os bebés exigem muito delas, que não dormem sozinhos, que não lhes largam as mamas, que isto e aquilo.
Se virmos pela perspectiva dos bebés, é isto:

Mãe:
Durante 9 meses fui alimentado, abraçado, passeado e confortado constantemente. Por favor, alimenta, ama, abraça e conforta-me agora por um curto espaço de tempo equanto faço a transição para esta nova vida. Não vou precisar sempre de ti desta forma constante, mas neste momento preciso.
Amo-te.
Bebé

Se mantiver-mos a calma, se tivermos apoio, tudo passa, tudo melhora. São só uns meses. Temos o resto da vida para tudo o resto...

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Simplificar o carrinho de bebés....

A forma mais simples de simplificar o uso do carrinho de bebés é... não usar.

Eu explico.

Não sou contra o apetrecho. Nós temos um. Andamos meses à procura de um em 2ª mão porque eu queria de uma marca específica, com características especificas, que quase custava o mesmo que um pequeno carro em 2ª mão se tivéssemos comprado novo nas lojas das especialidade. Encontramos um sr em Espanha que se queria desfazer do dele e nós aproveitamos. Não é o último modelo, nem tem os extras a funcionar perfeitamente, mas serve o propósito de transportar a criança quando é preciso.

Só que é preciso muito poucas vezes.
E das vezes em que é preciso transportar a criança em ambiente fora dos Centros Comerciais, a coisa torna-se muito parecida com uma gincana urbana. Senão vejamos.
 
Isto é a nossa rua. Parte dela, pelo menos. E é o caminho mais rápido para chegar ao nosso Centro de Saúde. Como podem ver, os postes dos candeeiros estão no meio do passeio que, já por si, é estreitinho. Para andar com o carrinho em cima dele, por vezes não passamos entre os postes e os muros das casas. Por causa dos ecopontos (lá mais ao fundo) temos de sair por completo do passeio e ir para a estrada. Para evitar o sobe/desce de passeio, então vamos pela estrada, com todos os perigos inerentes dessa situação. Então, depois deste sobe e desce, sobe e desce, ainda me criticam por eu gostar mais de andar com a criança no pano?


É que com ele no pano, onde eu consigo andar e passar, ele também passa, sem ser preciso andar na estrada ou por caminhos menos seguros.

Já num Centro Comercial, ou para ir a um restaurante, o carrinho pode ser muito útil. Mas sou sincera, com eles muito pequenos (até aos 4 meses, +/-), andar no pano protege-os muito mais, relaxa-os muito e sabe muito bem o aconchego e o afago dos cabelinhos deles.

Voltando à rua, eu acho que esta até nem é das piores, mas fico a pensar: e se fosse uma cadeira de rodas? Como é que alguém que não tivesse ajuda de outra pessoa, conseguiria andar neste passeio com uma cadeira de rodas?
Não conseguia.



terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Eu, mãe que amamento, afirmo! (Disclaimer)



Sou a favor do parto natural e humanizado.
  • Mas apoio e compreendo todas as mulheres que decidem ou que são convencidas de que precisam de procedimentos médicos para ajudar os seus bebés a nascer. Eu sei que todas queremos o melhor para os nossos filhos, mesmo antes deles nascerem.
Sou a favor da amamentação em exclusivo até aos 6 meses e prolongada pelo menos até aos 2 anos.
  • Mas apoio e compreendo as mulheres que não podem/querem/conseguem amamentar os seus filhos e tento ajudar no que for preciso (mesmo a terminar a relação de amamentação) em prol do que é melhor para a dupla mãe-bebé. Eu sei que todas queremos o melhor para os nossos filhos, mesmo que tenha de ser através de um biberon.
Sou a favor da parentalidade des-stressada, humilde e com poucos recursos materiais.
  • Mas compreendo quem quer ter tudo o que vê nos filmes/novelas/revistas, seja o carrinho de passeio, a roupa de marca, a espreguiçadeira que se mexe sozinha, o parque ou o biberon vindo dos Estados Unidos, desde que no fim o contacto com o seu bebé seja privilegiado. Porque eu sei que todas queremos o melhor para os nossos filhos, mesmo que se vistam só com roupa de marca .
Sou a favor de uma parentalidade de proximidade (attachment parenting) e uso e recomendo o uso de sling/pano e de dormir com o bebé no mesmo quarto/cama.
  • Mas compreendo e apoio quem não quer/consegue usar um sling ou dormir no mesmo quarto que o seu filho. Porque eu sei que todas queremos o melhor para os nossos filhos, mesmo que o bebé ande sempre no carrinho de passeio.

Sou a FAVOR do não quando é preciso.
Sou CONTRA o treinar o bebé a dormir deixando-o chorar e não apoio nem compreendo quem o faz.
Sou CONTRA o bebé dormir sozinho no quarto antes, no mínimo  dos 6 meses de vida. O morte súbita do lactente existe, é horrível e mais frequente em bebés com menos de 6 meses que dormem longe dos pais.
Sou CONTRA tudo o que faz os bebés tristes e não apoio nem compreendo quem bate em bebés tentando corrigir actos que são instintivos e intuitivos de pequenos seres que ainda não têm capacidade para processar toda a informação à sua volta.

Não sou perfeita nem tenho aspirações a ser. Sim, às vezes gritos com os miúdos e às vezes apetecia-me recambia-los para casa dos avós. Mas amo-os mais que à vida e é minha responsabilidade cria-los num ambiente saudável, seguro e, principalmente, cheio de amor.

Ao contrário das minhas crenças religiosas, as minhas convicções em todos os assuntos acima descritos são baseadas SEMPRE nas bases científicas mais recentes. Não tenho medo de me retratar em qualquer opinião se me mostrarem estudos recentes e idóneos que indiquem o contrário daquilo que defendo. A isto se chama ciência, na qual eu trabalho. Não acredito em coisas simplesmente porque a tia Joana me disse, ou porque "li na net". 

Posto isto, compreendo que me vejam como uma "fanática" da amamentação e do parto na água. Mas isto não quer dizer que não consiga compreender quem não o é. Não me vou retraír de falar da minha experiência acerca destes e de outros vários assuntos, como espero que quem comigo fala também não o faça pois da diversidade se faz a raça humana. Também não me vou coibir de mostrar fotos do parto do meu filho ou de o amamentar onde quer que seja para não ferir sentimentos, pois espero que quem pense de outra forma ou tenha passado por experiências diferentes também não se deve coibir de o demonstrar.

Todos os dias aprendo com os meus filhos. Por isso, e por todos os livros que leio e pessoas com quem converso, seja ao vivo ou na internet, acontece este post.

Ninguém é melhor ou pior mãe se se tenta criar os filhos com amor e respeito. Quer seja com carrinho ou sling, com mamas ou biberons, o que interessa é ama-los e cuida-los o melhor que conseguimos e sabemos, com a ajuda umas das outras.

:)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Como o leite materno se transforma em água e a vaca passa a fazer melhor leite que o seu.

Eu acho que se você amamenta por um ano, alguém lhe deveria fazer uma festa. O melhor que eu pude fazer foi oferecer umas t-shirts comemorativas (ver aqui). Eu já dei mais t-shirts dos que as que posso contar e actualmente tenho uma lista (não tão actualizada como isso) para celebrar as mães que conseguiram manter esta "dupla do ano de idade" no meu site.

Então, com todas estas mães no meu consultório alcançando este objectivo, eu comecei a considerar fazer algo para reconhecer as mães que continuavam a amamentar aos 18 meses. Essas mães maravilhosas, que ganharam a t-shirt e os parabéns pelo primeiro ano diziam “Não, obrigada.” quando eu mencionei o que tinha em mente – elas não queriam que as outras pessoas soubessem. Elas amamentavam, mas não queriam reconhecimento público. Elas amamentavam “no armário” e estavam bem assim.

A revisão dos 12 meses é uma óptima oportunidade para falar dos benefícios de continuar a amamentar além do primeiro ano. Eu vou tentar dizer “amamentação prolongada” porque isso revela um viés cultural que existe onde eu vivo, mas talvez não onde você viva. Mundialmente, amamentar até os 2 ou 4 anos é simplesmente normal. E antes que o viés cultural interrompa a discussão, a política da Associação Americana de Pediatria no despacho "Amamentação e uso de leite humano" diz que “não existe limite para a duração da amamentação e não há evidência psicológica de prejuízo ao desenvolvimento devido à amamentação no terceiro ano de vida ou mais”.

Então, o que acontece aos doze meses? Bem, de acordo com a crença popular, no momento em que o seu lindo bebé amamentado dorme na noite anterior ao seu primeiro aniversário, o mundo transforma-se: no dia seguinte, eles descobrem que o leite materno já não serve. Eles descobriram que a vaca faz um leite melhor que a mãe. 

E como é que você faz com que uma criança de um ano que ainda não fala entenda isto? Eles contam continuar a receber o conforto, a expressão de amor e a maravilhosa nutrição que tinham no dia anterior. Qual é a magia daquele 366º dia da sua vida?
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Agora a sério, eu sei que não faz sentido e que o bebé de um ano provavelmente fica confuso, mas eu conheço algumas mulheres maravilhosas que acreditam que mesmo que elas continuem a amamentar, os seus filhos vão precisar de um complemento de leite de vaca “para que recebam todos os nutrientes”. Eu posso morar no "Estado Paraíso dos lacticínios (EUA)", onde pessoas usam chapéus de queijo em público, mas o leite da vaca é para os bezerros. E como eu normalmente tenho essa conversa no meio de uma consulta de rotina, com a criança presente, geralmente faço um bom trabalho a convencer a família de que o meu exame clínico sugere que o seu filho não é um bezerro. 

Os componentes do leite materno que combatem as infecções continuam presentes: lisozima, lactoferrina, imunoglobulina (IgA) estão presentes em quantidades estáveis. Os níveis de proteína, cálcio e ácidos gordos de cadeia longa são mais baixos comparados com o leite de um bebê de 3 meses, mas não estamos a falar de bebés de 3 meses, que só se alimentam de leite materno. A criança de um ano já come alimentos complementares. Além disso, sabemos que mães que amamentam por mais tempo diminuem o seu risco de cancro de mama.

Eu compreendo. Muitas pessoas, incluindo muitos profissionais de saúde, não entendem porque é que você quer amamentar por mais de um ano. Mas não são eles que têm que acalmar uma criança de 15 meses a berrar. Eu só digo isto – se eu tivesse que escolher entre uma criança chorando que eu tenho que distrair e fazer feliz de alguma maneira, e uma criança chorando que eu posso dar mama e fazer feliz em 5 minutos, eu prefiro a segunda opção. 

Um dia, espero poder fazer algo pelas minhas amigas, as que amamentam “no armário”, e eu saberei que estarei a fazer algum progresso aqui no meu pedacinho de mundo. Talvez então nós possamos convencer o resto do mundo que amamentar um bebé de mais de um ano é normal. 


Jenny Thomas 

Pediatra membro da Associação Americana de Pediatria, membro do Comitê Internacional de Certificação de Consultoria de Aleitamento e da Academy of Breastfeeding Medicine. (www.drjen4kids.com)

Tradução de Bel Kock-Allaman; adaptação a Português europeu e revisão de Isabel Martins Loureiro