sábado, 27 de novembro de 2010
sábado, 20 de novembro de 2010
Há escolas assim...
Se há mais de um mês eu debatia-me com a guerra dos legumes, passado este tempo a coisa foi alterada de forma tão drástica que não posso deixar de vir aqui falar nisso.
É que do nem pensar em haver legumes à 2ª feira passamos a poder levar os nossos substitutos da carne, com um grande à vontade. Porque, embora em minoria, havia já 1 criança na sala do petiz que o fazia, o que facilitou a nossa vida.
Não é muito complicado para a creche aceitar estas pequenas alterações de ementa. Afinal, é só pegar naquilo que vem nas caixas bem identificadas com o nome da criança e em vez de pôr a carne no prato, botam o conteúdo da dita cuja caixa. Não lhes custa nada. Custa-nos a nós, que temos de seguir a ementa, preparar a alternativa de véspera, levar e trazer a caixinha... Mas, isto será algo que o "slow parent" de hoje em dia faça? Será que um pai despreocupado não seria mais feliz simplesmente aceitando a comida que a mensalidade da creche paga?
Pois.
Não.
Se quiserem perceber porquê de forma divertida, vejam isto. E engane-se quem pensa que isto é o que se passa nos Estados Unidos, que cá temos uma agro-pecuária muito mais salutar! Quem já alguma vez visitou ou sequer passou por uma vacaria sabe bem que não é assim! Quanto mais a procura, mas pressa de que os animais cresçam rápido, a todo o custo, para que dê lucro. E isso é verdade aqui, na França, na Austrália ou no Brasil!
O pai descontraído é o pai interessado, que se envolve em todas as facetas da vida do seu pequeno, mesmo (e especialmente) se está a maior parte do tempo longe dele. É também o pai que se preocupa em fazer a sua parte para que o seu filho possa viver num planeta, ainda assim, não totalmente degradado. ASs questões ambientais já não são só tema exclusivo de ambientalistas, mas de todos nós.
Enfim, como a Beata Madre Teresa de Calcutá diz (ou escreveu): O que eu faço, é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor.
Por isso, agradecemos à CAI a disponibilidade em aceitar as fraldas reutilizáveis do Gabriel e aceitar que levemos a "nossa" comida, para que pelo menos durante mais uns tempos, ele coma de forma saudável e sustentável.
Vocês deviam ser a regra, e não a excepção que a confirma! :)
É que do nem pensar em haver legumes à 2ª feira passamos a poder levar os nossos substitutos da carne, com um grande à vontade. Porque, embora em minoria, havia já 1 criança na sala do petiz que o fazia, o que facilitou a nossa vida.
Não é muito complicado para a creche aceitar estas pequenas alterações de ementa. Afinal, é só pegar naquilo que vem nas caixas bem identificadas com o nome da criança e em vez de pôr a carne no prato, botam o conteúdo da dita cuja caixa. Não lhes custa nada. Custa-nos a nós, que temos de seguir a ementa, preparar a alternativa de véspera, levar e trazer a caixinha... Mas, isto será algo que o "slow parent" de hoje em dia faça? Será que um pai despreocupado não seria mais feliz simplesmente aceitando a comida que a mensalidade da creche paga?
Pois.
Não.
Se quiserem perceber porquê de forma divertida, vejam isto. E engane-se quem pensa que isto é o que se passa nos Estados Unidos, que cá temos uma agro-pecuária muito mais salutar! Quem já alguma vez visitou ou sequer passou por uma vacaria sabe bem que não é assim! Quanto mais a procura, mas pressa de que os animais cresçam rápido, a todo o custo, para que dê lucro. E isso é verdade aqui, na França, na Austrália ou no Brasil!
O pai descontraído é o pai interessado, que se envolve em todas as facetas da vida do seu pequeno, mesmo (e especialmente) se está a maior parte do tempo longe dele. É também o pai que se preocupa em fazer a sua parte para que o seu filho possa viver num planeta, ainda assim, não totalmente degradado. ASs questões ambientais já não são só tema exclusivo de ambientalistas, mas de todos nós.
Enfim, como a Beata Madre Teresa de Calcutá diz (ou escreveu): O que eu faço, é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor.
Por isso, agradecemos à CAI a disponibilidade em aceitar as fraldas reutilizáveis do Gabriel e aceitar que levemos a "nossa" comida, para que pelo menos durante mais uns tempos, ele coma de forma saudável e sustentável.
Vocês deviam ser a regra, e não a excepção que a confirma! :)
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Eu só pedi legumes!!!
Quer dizer, se tivesse insistido que os putos da creche comessem gelados e bolos ao lanche, todos os dias, eu percebia a reacção. Mas eu só pedi LEGUMES todos os dias à refeição!
Eu explico: primeiro dia de creche, certo? A mãe em lágrimas, o puto em lágrimas, mas vá que tudo vai correr bem e pronto, é a vida.
Volto para o apanhar à hora de almoço da criançada e até fico a dar uma mãozinha que isto de primeiros dias é um bocado complicado. E a "sopa" o que é?? Canja. Sim, daquela com massa e pedaços de carne e pele a boiar numa água engordurada. A única coisa verde era uma folhita de hortelã. Bem bom, pensarão alguns amigos que até comem duas tijelas da mistela, assim a haja no bar da faculdade. Pois....
Mas e o 2º pratinho dos meninos, o que era? Então, esparguete com almôndegas. Aiiii! Então a "sopa" não é sopa (desculpem mas o meu conceito de sopa não abrange massa e carne em água) e o prato é massa com carne?? Mas isto é sempre assim?
Vai esta mãe à secretaria e pergunta como é a ementa para o resto da semana. Aí vem a lenga lenga da sopa de espinafres, de nabiça, de cenoura. Muito bem, mas hoje foi canja. Onde estão os legumes? Resposta: "Como é segunda feira não há sopa de legumes porque não há legumes". O QUÊ??
Então a "directora pedagógica" quis impingir-me que a ementa, feita por uma nutricionista (não querendo ofender ninguém, mas já repararam que há cursos de nutrição à venda na net??) inclui um dia em que não há pinga de verdura ao almoço de crianças do 1 aos 5 anos de idade!! Porque não há verduras à 2ª feira!!! Ora, façam-me o favor de não insultar a minha inteligência!!
Pois minha querida, o meu filho TEM de comer verdura a todas as refeições, por isso se quiser ele trás de casa a sopinha dele. "Ah, mas isso é complicado. Oh mãe, é só um dia!! Pode sempre carregar nos vegetais à noite!"....
TÁ-ME A ACHAR COM CARA DE PARVA?? Então os médicos recomendam que se coma NO MÍNIMO 5 porções de verduras e fruta TODOS os dias, vocês na refeição do meio do dia não põem nada e ainda me mandam "carregar" de verduras a refeição da noite?! Estão a gozar, mas de certezinha!!!
Resultado: fica o compromisso de que o meu piqueno come a sopa dos menores de 12 meses (essa sim, tem sempre verdura, não sei vinda de onde pois se à 2ª feira não há....) e depois come o prato com os restantes. Não é um grande compromisso, mas é o que há.
Pergunta: O que fará esta directora pedagógica no dia em que lhe aparecer à frente um menino de família hindu ou budista? Ou mesmo um judeu ou um muçulmano? Também vai tapar o sol com a peneira com os pais? Também vai dizer para cumprirem as tradições e imposições religiosas só à noite?? Eu compreendo que um infantário não tenha de ter refeições à escolha de cada criança, ainda mais se é IPSS. No entanto, nos dias que correm, cada vez mais se deve apostar na diversificação alimentar. Aliás, se não fosse pelo preço e pela distância, se calhar o nosso pequeno ia comer esta ementa. Será que é assim tão mais caro para a escola fazer uma refeição de tofu? E colocar mais vegetais? Tenho de mandar mail a perguntar qual é a/o nutricionista deles.
E mais. Vejam esta notícia:
"De acordo com o Ministério da Educação, a legislação prevê que os estabelecimentos de ensino forneçam dietas próprias a alunos com restrições alimentares medicamente comprovadas, mas o próprio secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, admitiu recentemente à Lusa que algumas escolas não estejam a cumprir. "As escolas têm obrigação de providenciar as condições para que a criança ou o jovem tenha essa alimentação [alternativa]. Mas admito que nem todas as escolas no país tenham condições para o fazer", afirmou na altura.".
Portanto a lei obriga, mas as escolas têm é de pensar na contenção orçamental, enquanto as "esquisitices" dos pais que até querem ter uma alimentação mais saudável e livre de hormonas e antibióticos fica para segundo plano.
Ou seja, o que eu vou fazer é ir ao médico e dizer-lhe, "Se faz favor, drª, passe-me uma declaração em como o meu filho precisa de comer vegetais a todas as refeições.". Vamos ver se assim já passa a haver legumes à 2ª feira!
São VEGETAIS, caramba!! Não são caramelos!! :P
Eu explico: primeiro dia de creche, certo? A mãe em lágrimas, o puto em lágrimas, mas vá que tudo vai correr bem e pronto, é a vida.
Volto para o apanhar à hora de almoço da criançada e até fico a dar uma mãozinha que isto de primeiros dias é um bocado complicado. E a "sopa" o que é?? Canja. Sim, daquela com massa e pedaços de carne e pele a boiar numa água engordurada. A única coisa verde era uma folhita de hortelã. Bem bom, pensarão alguns amigos que até comem duas tijelas da mistela, assim a haja no bar da faculdade. Pois....
Mas e o 2º pratinho dos meninos, o que era? Então, esparguete com almôndegas. Aiiii! Então a "sopa" não é sopa (desculpem mas o meu conceito de sopa não abrange massa e carne em água) e o prato é massa com carne?? Mas isto é sempre assim?
Vai esta mãe à secretaria e pergunta como é a ementa para o resto da semana. Aí vem a lenga lenga da sopa de espinafres, de nabiça, de cenoura. Muito bem, mas hoje foi canja. Onde estão os legumes? Resposta: "Como é segunda feira não há sopa de legumes porque não há legumes". O QUÊ??
Então a "directora pedagógica" quis impingir-me que a ementa, feita por uma nutricionista (não querendo ofender ninguém, mas já repararam que há cursos de nutrição à venda na net??) inclui um dia em que não há pinga de verdura ao almoço de crianças do 1 aos 5 anos de idade!! Porque não há verduras à 2ª feira!!! Ora, façam-me o favor de não insultar a minha inteligência!!
Pois minha querida, o meu filho TEM de comer verdura a todas as refeições, por isso se quiser ele trás de casa a sopinha dele. "Ah, mas isso é complicado. Oh mãe, é só um dia!! Pode sempre carregar nos vegetais à noite!"....
TÁ-ME A ACHAR COM CARA DE PARVA?? Então os médicos recomendam que se coma NO MÍNIMO 5 porções de verduras e fruta TODOS os dias, vocês na refeição do meio do dia não põem nada e ainda me mandam "carregar" de verduras a refeição da noite?! Estão a gozar, mas de certezinha!!!
Resultado: fica o compromisso de que o meu piqueno come a sopa dos menores de 12 meses (essa sim, tem sempre verdura, não sei vinda de onde pois se à 2ª feira não há....) e depois come o prato com os restantes. Não é um grande compromisso, mas é o que há.
Pergunta: O que fará esta directora pedagógica no dia em que lhe aparecer à frente um menino de família hindu ou budista? Ou mesmo um judeu ou um muçulmano? Também vai tapar o sol com a peneira com os pais? Também vai dizer para cumprirem as tradições e imposições religiosas só à noite?? Eu compreendo que um infantário não tenha de ter refeições à escolha de cada criança, ainda mais se é IPSS. No entanto, nos dias que correm, cada vez mais se deve apostar na diversificação alimentar. Aliás, se não fosse pelo preço e pela distância, se calhar o nosso pequeno ia comer esta ementa. Será que é assim tão mais caro para a escola fazer uma refeição de tofu? E colocar mais vegetais? Tenho de mandar mail a perguntar qual é a/o nutricionista deles.
E mais. Vejam esta notícia:
"De acordo com o Ministério da Educação, a legislação prevê que os estabelecimentos de ensino forneçam dietas próprias a alunos com restrições alimentares medicamente comprovadas, mas o próprio secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, admitiu recentemente à Lusa que algumas escolas não estejam a cumprir. "As escolas têm obrigação de providenciar as condições para que a criança ou o jovem tenha essa alimentação [alternativa]. Mas admito que nem todas as escolas no país tenham condições para o fazer", afirmou na altura.".
Portanto a lei obriga, mas as escolas têm é de pensar na contenção orçamental, enquanto as "esquisitices" dos pais que até querem ter uma alimentação mais saudável e livre de hormonas e antibióticos fica para segundo plano.
Ou seja, o que eu vou fazer é ir ao médico e dizer-lhe, "Se faz favor, drª, passe-me uma declaração em como o meu filho precisa de comer vegetais a todas as refeições.". Vamos ver se assim já passa a haver legumes à 2ª feira!
São VEGETAIS, caramba!! Não são caramelos!! :P
domingo, 3 de outubro de 2010
A galinha e o ninho*
A expressão mãe galinha é fascinante. Principalmente quando já observámos a dita cuja em acção. De facto podia ser mãe loba, mãe leoa, mãe égua ou mesmo mãe golfinha, mas a verdade é que todas as progenitoras, nos primeiros tempos de vida das crias, não as largam nem um bocadinho. E a nossa espécie não é excepção. No entanto, quem quer ficar mais um tempinho a cuidar da cria humana, é chamada mãe-galinha....
O que eu acho engraçado é que, numa sociedade em que até há bem pouco tempo as mães ficavam em casa para cuidar dos filhos, se tenha passado para o oposto tão dramaticamente e sem dó nem piedade. Por exemplo, se uma pessoa até pensa que é correcto amamentar em exclusivo até aos 6 meses de vida, além de ser apelidada de louca, é impedida pela lei que só permite que as mães tenham 120 dias de licença de maternidade (paga a 100%). Vão me dizer que agora a lei mudou e que vai até aos 6 meses. Puro engano de quem não aprofundou a coisa: só há essa hipótese se receber apenas 80% do vencimento e partilhar a licença com o pai, que se contentará a dar o leite do bebé que a mãe tirar com a máquina e congelar.
E a licença de amamentação? Outra aventura! São 2 horitas por dia até a criança perfazer 1 ano, mas que quase ninguém goza porque os patrões e chefes não vêem com bons olhos a "colaboradora" chegar mais tarde e sair mais cedo durante esse tempo. O abuso....
Eu até encontrei uma solução que, no meu entender, beneficiava toda a gente: 4 dias a trabalhar a tempo inteiro e juntava as 8 (!) horas devidas à amamentação num dia só, o que permitia uma grande liberdade para tratar de assuntos diversos, ir ao médico com o petiz, dar uma limpeza na casa, enfim, o que tinha de ser feito quando não se tem empregada e os 2 dias do fim-de-semana não dão para tudo. Pois... durou uns meses. Aquando da renovação do contrato foi posta a questão "ou deixa essa história, ou o contrato não é renovado". O que se há-de fazer? A malta não vive só com 1 ordenado! Lá se enfiou um direito pelo cano e puxou-se o autocolismo.
É claro que não estamos mal, considerando outros países no resto do mundo (http://en.wikipedia.org/wiki/Parental_leave#Europe). De reparar que nos Estados Unidos da América, a licença de maternidade é 0 (zero) semanas.
No entanto, há os antípodas que são os nossos vizinhos europeus:
- Republica Checa - 2, 3 ou 4 anos de licença de maternidade, paga 100%;
- Áustria - 1 a 3 anos, paga 100%;
- Eslováquia - 3 anos, acrescido de mais 3 se a criança for deficiente. O estado paga 256€ por mês nos primeiros 2 anos, passando a 164,22€ daí em diante;
- Suécia e Noruega - 16 meses de licença paga, obrigatório que no mínimo 2 desses meses sejam gozados pelo progenitor minoritário (grosso modo, o pai);
- Estónia - 18 meses de licença paga;
- Bulgária - 1 ano de licença paga a 100%, o 2º ano pago ordenado mínimo;
- Eslovénia - 1 ano de licença paga a 100%;
- Dinamarca - 52 semanas (13 meses) mas 2 semanas têm de ser gozadas pelo pai;
- Reino Unido - 52 semanas (13 meses) de licença de maternidade ou adopção, das quais 39 semanas (cerca de 10 meses) pagas na totalidade e o restante tempo segundo uma taxa fixa.
- Irlanda - 6 meses pagos a 100%.
Eu disse que não estavamos mal, mas como eu acho que nos temos sempre de comparar com o que é melhor e não o contrário, então acho que podíamos estar bem melhor.
Claro que há sempre o argumento de que há nesta lista países com impostos muito superiores, que há outros países desenvolvidos (Alemanha e Holanda, por ex.) que têm o mesmo tempo de licença de maternidade que nós. E eu pergunto: eles estão contentes com isso?
Basta ver o que se passa na Alemanha para perceber que não (http://www.time.com/time/world/article/0,8599,1991216,00.html).
Com o estado das coisas em Portugal, ou seja, aumento de impostos e supressão de "abono de família" para quem, como nós, se situa miraculosamente nos escalões mais altos da Segurança Social (embora tenhamos IRS com apenas 1 a receber), então acho que só quem se safa são os mais ricos e os mais pobres, uns porque não precisam dos subsídios, os outros porque têm fracas noções de controlo de natalidade e recorrem a vários subsídios que os vão conseguindo manter à superfície. Creio que muito em breve a situação demográfica por cá também comece a entrar num estado crítico.
Então a classe média, como é que fica? Nos 1.5 filhos por família, a tentar desenrascar e esticar o único ordenado certo que entra em casa todos os meses, e a lamentar que esse mesmo ordenado não dê para que a mãe fique em casa com a cria e a tenha de deixar aos cuidados de avós e creches.
Podemos não ser galinhas, mas não somos exemplo para mais nenhuma espécie.
*desabafo de quem vai levar o filho pela primeira vez à creche, amanhã.
O que eu acho engraçado é que, numa sociedade em que até há bem pouco tempo as mães ficavam em casa para cuidar dos filhos, se tenha passado para o oposto tão dramaticamente e sem dó nem piedade. Por exemplo, se uma pessoa até pensa que é correcto amamentar em exclusivo até aos 6 meses de vida, além de ser apelidada de louca, é impedida pela lei que só permite que as mães tenham 120 dias de licença de maternidade (paga a 100%). Vão me dizer que agora a lei mudou e que vai até aos 6 meses. Puro engano de quem não aprofundou a coisa: só há essa hipótese se receber apenas 80% do vencimento e partilhar a licença com o pai, que se contentará a dar o leite do bebé que a mãe tirar com a máquina e congelar.
E a licença de amamentação? Outra aventura! São 2 horitas por dia até a criança perfazer 1 ano, mas que quase ninguém goza porque os patrões e chefes não vêem com bons olhos a "colaboradora" chegar mais tarde e sair mais cedo durante esse tempo. O abuso....
Eu até encontrei uma solução que, no meu entender, beneficiava toda a gente: 4 dias a trabalhar a tempo inteiro e juntava as 8 (!) horas devidas à amamentação num dia só, o que permitia uma grande liberdade para tratar de assuntos diversos, ir ao médico com o petiz, dar uma limpeza na casa, enfim, o que tinha de ser feito quando não se tem empregada e os 2 dias do fim-de-semana não dão para tudo. Pois... durou uns meses. Aquando da renovação do contrato foi posta a questão "ou deixa essa história, ou o contrato não é renovado". O que se há-de fazer? A malta não vive só com 1 ordenado! Lá se enfiou um direito pelo cano e puxou-se o autocolismo.
É claro que não estamos mal, considerando outros países no resto do mundo (http://en.wikipedia.org/wiki/Parental_leave#Europe). De reparar que nos Estados Unidos da América, a licença de maternidade é 0 (zero) semanas.
No entanto, há os antípodas que são os nossos vizinhos europeus:
- Republica Checa - 2, 3 ou 4 anos de licença de maternidade, paga 100%;
- Áustria - 1 a 3 anos, paga 100%;
- Eslováquia - 3 anos, acrescido de mais 3 se a criança for deficiente. O estado paga 256€ por mês nos primeiros 2 anos, passando a 164,22€ daí em diante;
- Suécia e Noruega - 16 meses de licença paga, obrigatório que no mínimo 2 desses meses sejam gozados pelo progenitor minoritário (grosso modo, o pai);
- Estónia - 18 meses de licença paga;
- Bulgária - 1 ano de licença paga a 100%, o 2º ano pago ordenado mínimo;
- Eslovénia - 1 ano de licença paga a 100%;
- Dinamarca - 52 semanas (13 meses) mas 2 semanas têm de ser gozadas pelo pai;
- Reino Unido - 52 semanas (13 meses) de licença de maternidade ou adopção, das quais 39 semanas (cerca de 10 meses) pagas na totalidade e o restante tempo segundo uma taxa fixa.
- Irlanda - 6 meses pagos a 100%.
Eu disse que não estavamos mal, mas como eu acho que nos temos sempre de comparar com o que é melhor e não o contrário, então acho que podíamos estar bem melhor.
Claro que há sempre o argumento de que há nesta lista países com impostos muito superiores, que há outros países desenvolvidos (Alemanha e Holanda, por ex.) que têm o mesmo tempo de licença de maternidade que nós. E eu pergunto: eles estão contentes com isso?
Basta ver o que se passa na Alemanha para perceber que não (http://www.time.com/time/world/article/0,8599,1991216,00.html).
Com o estado das coisas em Portugal, ou seja, aumento de impostos e supressão de "abono de família" para quem, como nós, se situa miraculosamente nos escalões mais altos da Segurança Social (embora tenhamos IRS com apenas 1 a receber), então acho que só quem se safa são os mais ricos e os mais pobres, uns porque não precisam dos subsídios, os outros porque têm fracas noções de controlo de natalidade e recorrem a vários subsídios que os vão conseguindo manter à superfície. Creio que muito em breve a situação demográfica por cá também comece a entrar num estado crítico.
Então a classe média, como é que fica? Nos 1.5 filhos por família, a tentar desenrascar e esticar o único ordenado certo que entra em casa todos os meses, e a lamentar que esse mesmo ordenado não dê para que a mãe fique em casa com a cria e a tenha de deixar aos cuidados de avós e creches.
Podemos não ser galinhas, mas não somos exemplo para mais nenhuma espécie.
*desabafo de quem vai levar o filho pela primeira vez à creche, amanhã.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Há hospitais e há Hospitais.
Isto não é uma critica. A sério que não é! Só que o programa de estreia da Conceição Lino na SIC foi, para mim, um bocadito... vá, estranho!
Partos em directo, desde Beja e do Santa Maria em Lisboa!! O Santa Maria, ainda por cima, hospital onde fui seguida na grande parte do tempo de gestação do Gabriel, mas onde eu não escolheria para o parir a não ser por algo mesmo, mesmo, MESMO específico! Nada de errado com o Sta Maria, atenção! Só que faz parte da minha Universidade, e tá tudo dito. É um hospital Universitário, onde há "meninos doutores" por tudo quanto é lado... Para terem uma noção, durante o tempo em que lá fui, não fui observada pelo mesmo médico 1 única vez!! Valia as enfermeiras serem as mesmas, senão....
De facto fazem falta os hospitais universitários, senão onde treinariam os médicos?? Mas hospitais universitários onde a mulher ainda tem de parir deitada com as pernas nos apoios?? E onde é consentida uma emissão em directo?? Claro que houve consentimento dos pais (digo eu!) e que, com certeza, aquela mãe que estava roxa de fazer força não se importou nada de, entre contracções, ter um microfone da jornalista enfiado à frente do nariz a perguntar se estava ansiosa por ter a menina nos braços. Pois....
Não sei, fez-me espécie. É que parece que o mundo dos partos se separa cada vez mais diametralmente: de um lado os que querem ter um parto sossegado em casa, o menos manipulado possivel, em que se houver gravações é para consumo próprio, em que não há muitas mãos a mexer "lá em baixo", onde não nos OBRIGAM a deitar para parir (porque é mais confortável para os médicos e para mais ninguém!), onde o nosso bebé não sai de perto de nós, onde é colocado à mama logo no recobro....
Do outro lado, os que acham que os médicos é que sabem o melhor para a mãe e restantes familiares, onde na sala de parto há 1 enfermeira, 1 anestesista, 2 médicas a mandar fazer força "lá em baixo" (com epidural as mulheres têm de ser "orientadas" assim) e 1 equipa de reportagem, em que havia um telemóvel a tocar e em que a bebé é tirada da vista da mãe imediatamente a seguir ao parto (para a sala dos recém-nascidos, disseram...). É pá, funcionou para a sra? Que bom!
A mim meteu-me muita confusão! Eu que tive numa salinha de partos só com a companhia de 1 mesma enfermeira-parteira e do papá Bruno, com musiquinha fixe, que fizeram o "toque" mais amiúde e por outra enfermeira quando viram que a coisa podia não desenrolar, eu que senti onde e quando tinha de fazer força, que estive numa posição mais ou menos confortável (semi-cócoras, com o rabo ao pé dos pés), ver aquilo tudo pareceu-me esquisito!
Será que as grávidas que estavam no programa sabem que podem ter um parto diferente? Será que sabem que muito do que se passou naquele parto é desaconselhado pela OMS? Não percebi.
Depois foi a entrevista a recém mamãs na MAC (Maternidade Alfredo da Costa) onde se viu uma enfermaria com 8, sim 8, camas. Caramba! Eu não sabia que era assim mesmo um "aviário" como se costuma dizer a brincar. É que no Hospital do Barreiro a minha enfermaria tinha 3 camas... E na altura as condições não me pareceram nada de especial (aquela casa de banho, arghhhhhhhhhhh!!). Mas comparando, parece que estive numa suite!
Bem, passo a publicidade à Conceição Lino (que de jornalista séria passa a Júlia Pinheiro 2! Espero que lhe estejam a pagar mesmo bem!) e se tiverem vontade de ver o programa, está disponível no site oficial...
Vá lá mulheres! Informem-se melhor! O parto dos vossos filhos é vosso também! E nunca mais o vão esquecer!!
Ah, e sim sou membro da HUMPAR!
http://www.humpar.org/comunicado-ao-programa-boa-tarde.html
Partos em directo, desde Beja e do Santa Maria em Lisboa!! O Santa Maria, ainda por cima, hospital onde fui seguida na grande parte do tempo de gestação do Gabriel, mas onde eu não escolheria para o parir a não ser por algo mesmo, mesmo, MESMO específico! Nada de errado com o Sta Maria, atenção! Só que faz parte da minha Universidade, e tá tudo dito. É um hospital Universitário, onde há "meninos doutores" por tudo quanto é lado... Para terem uma noção, durante o tempo em que lá fui, não fui observada pelo mesmo médico 1 única vez!! Valia as enfermeiras serem as mesmas, senão....
De facto fazem falta os hospitais universitários, senão onde treinariam os médicos?? Mas hospitais universitários onde a mulher ainda tem de parir deitada com as pernas nos apoios?? E onde é consentida uma emissão em directo?? Claro que houve consentimento dos pais (digo eu!) e que, com certeza, aquela mãe que estava roxa de fazer força não se importou nada de, entre contracções, ter um microfone da jornalista enfiado à frente do nariz a perguntar se estava ansiosa por ter a menina nos braços. Pois....
Não sei, fez-me espécie. É que parece que o mundo dos partos se separa cada vez mais diametralmente: de um lado os que querem ter um parto sossegado em casa, o menos manipulado possivel, em que se houver gravações é para consumo próprio, em que não há muitas mãos a mexer "lá em baixo", onde não nos OBRIGAM a deitar para parir (porque é mais confortável para os médicos e para mais ninguém!), onde o nosso bebé não sai de perto de nós, onde é colocado à mama logo no recobro....
Do outro lado, os que acham que os médicos é que sabem o melhor para a mãe e restantes familiares, onde na sala de parto há 1 enfermeira, 1 anestesista, 2 médicas a mandar fazer força "lá em baixo" (com epidural as mulheres têm de ser "orientadas" assim) e 1 equipa de reportagem, em que havia um telemóvel a tocar e em que a bebé é tirada da vista da mãe imediatamente a seguir ao parto (para a sala dos recém-nascidos, disseram...). É pá, funcionou para a sra? Que bom!
A mim meteu-me muita confusão! Eu que tive numa salinha de partos só com a companhia de 1 mesma enfermeira-parteira e do papá Bruno, com musiquinha fixe, que fizeram o "toque" mais amiúde e por outra enfermeira quando viram que a coisa podia não desenrolar, eu que senti onde e quando tinha de fazer força, que estive numa posição mais ou menos confortável (semi-cócoras, com o rabo ao pé dos pés), ver aquilo tudo pareceu-me esquisito!
Será que as grávidas que estavam no programa sabem que podem ter um parto diferente? Será que sabem que muito do que se passou naquele parto é desaconselhado pela OMS? Não percebi.
Depois foi a entrevista a recém mamãs na MAC (Maternidade Alfredo da Costa) onde se viu uma enfermaria com 8, sim 8, camas. Caramba! Eu não sabia que era assim mesmo um "aviário" como se costuma dizer a brincar. É que no Hospital do Barreiro a minha enfermaria tinha 3 camas... E na altura as condições não me pareceram nada de especial (aquela casa de banho, arghhhhhhhhhhh!!). Mas comparando, parece que estive numa suite!
Bem, passo a publicidade à Conceição Lino (que de jornalista séria passa a Júlia Pinheiro 2! Espero que lhe estejam a pagar mesmo bem!) e se tiverem vontade de ver o programa, está disponível no site oficial...
Vá lá mulheres! Informem-se melhor! O parto dos vossos filhos é vosso também! E nunca mais o vão esquecer!!
Ah, e sim sou membro da HUMPAR!
http://www.humpar.org/comunicado-ao-programa-boa-tarde.html
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
As mamas são MINHAS! Certo?...
Toda a gente sabe que a amamentação é o melhor para a mãe e para o bebé. Toda a gente sabe que a amamentação cria laços emocionais; que dá ao bebé as defesas que ele precisa para os primeiros tempos de vida; que permite à mãe recuperar a forma física mais rapidamente... Bem, nem toda a gente sabe. E parece que muitos médicos sãos os que menos sabem acerca do assunto.
Afinal, porquê amamentar quando dar o birerão é mais giro? A maioria das raparigas da minha idade cresceram com Nenucos e os seus acessórios, onde estava a chucha (outro objecto mítico!) e o biberão miniatura. Nós crescemos com isso no nosso imaginario.
Depois vem a questão social. Dar de mamar em sitio publico é embaraçoso! Pôr as nossas mamas ao ar assim, no meio da rua?! Credo! Muito mais fácil andar com biberão, garrafinha térmica para a água, caixinha com o leite em pó e eu sei lá que demais parafernália atrás! É raro ver uma mulher a amamentar num restaurante ou num parque. E é uma pena.
Estive com uma mãe há coisa de um mês que se queixava que em 6 dias já tinha passado por muito com gretas e feridas. Ela dizia que entre a bomba e mamadas, lá ía conseguindo aguentar. Outra amiga teve tantos problemas que de cada vez que amamentava o filho tinha de morder num anel de borracha para não gritar de dores. Mas amamentou o filho.
Admiro estas pessoas que sofrem mas ainda assim perseveram, porque qualquer um pode ir a um supermercado comprar uma lata de leite. Poucos são os que se mantêm firmes no intuito de que amamentar é, de facto, o melhor. É que é preciso muita força de vontade!
Eu compreendo, a sério que compreendo! Afinal, quando uma criança pequena acaba de mamar e continua a chorar convulsivamente, não seria mais fácil passar logo ao plano B e enfiar com uns bem medidos 150ml de leite no bucho? Sim, porque sabemos lá nós a quantidade de leite que o bebé mama à mama (disseram-me isto tanta vez quando o Gabriel tinha crises de cólicas...). No entanto, aquilo em que acredito, é que os bebés muitas vezes choram porque há algo que os incomoda e não tem nada a ver com fome. E há um teste muito simples para isso no inicio da sua vida: a balança! Se o bebé está a aumentar de peso é porque está a receber todo o leite de que precisa! Se chora depois de mamar e havendo a certeza de que estava mesmo a mamar (e não a chuchar), então não é de fome.
E nem me falem no laço com o pai. É que com biberão o pai também pode participar na alimentação do filho logo que nasce... Mas das milhentas coisas que há para fazer com um bebé, porque hão-de imiscuir-se naquela que é exclusiva da mãe?? Toda a gente pode dar banho, embalar, mudar a fralda, deitar, ler histórias, cantar, brincar com o bebé. Mas só a mãe pode amamentar.
A minha história, neste aspecto, é uma seca. Amamentação completamente sem espinhas durante os 18 meses que durou e os biberãos que nos ofereceram serviram apenas quando o Gabriel começou a ficar com as avós. Sim, sou apologista da amamentação prolongada, sou contra o leite de vaca consumido por humanos e sou apologista de que, enquanto der, houver e a criança quiser, que haja mama! Nem que seja, como nós, de 1:30h em 1:30h! Porque, sabem, os bebés não sabem o que é o tempo e não sabem ver as horas. Lá porque o nosso médico diz que se deve dar de mamar apenas de 3 em 3h não quer dizer que o nosso bebé vá nessa conversa. :) E muitas vezes não vai!
Tenho pena quando conheço mães que desistem. Há várias razões para isso e, como disse acima, compreendo completamente. Mas tenho pena. É que não poupam umas largas dezenas de €, andam carregadas de tralha atrás e não têm a fantástica sensação de "levar o menino ao peito".
Estas fotos foram tiradas na Feira de Santarém, há um ano. Foram elas a minha inspiração....
Afinal, porquê amamentar quando dar o birerão é mais giro? A maioria das raparigas da minha idade cresceram com Nenucos e os seus acessórios, onde estava a chucha (outro objecto mítico!) e o biberão miniatura. Nós crescemos com isso no nosso imaginario.
Depois vem a questão social. Dar de mamar em sitio publico é embaraçoso! Pôr as nossas mamas ao ar assim, no meio da rua?! Credo! Muito mais fácil andar com biberão, garrafinha térmica para a água, caixinha com o leite em pó e eu sei lá que demais parafernália atrás! É raro ver uma mulher a amamentar num restaurante ou num parque. E é uma pena.
Estive com uma mãe há coisa de um mês que se queixava que em 6 dias já tinha passado por muito com gretas e feridas. Ela dizia que entre a bomba e mamadas, lá ía conseguindo aguentar. Outra amiga teve tantos problemas que de cada vez que amamentava o filho tinha de morder num anel de borracha para não gritar de dores. Mas amamentou o filho.
Admiro estas pessoas que sofrem mas ainda assim perseveram, porque qualquer um pode ir a um supermercado comprar uma lata de leite. Poucos são os que se mantêm firmes no intuito de que amamentar é, de facto, o melhor. É que é preciso muita força de vontade!
Eu compreendo, a sério que compreendo! Afinal, quando uma criança pequena acaba de mamar e continua a chorar convulsivamente, não seria mais fácil passar logo ao plano B e enfiar com uns bem medidos 150ml de leite no bucho? Sim, porque sabemos lá nós a quantidade de leite que o bebé mama à mama (disseram-me isto tanta vez quando o Gabriel tinha crises de cólicas...). No entanto, aquilo em que acredito, é que os bebés muitas vezes choram porque há algo que os incomoda e não tem nada a ver com fome. E há um teste muito simples para isso no inicio da sua vida: a balança! Se o bebé está a aumentar de peso é porque está a receber todo o leite de que precisa! Se chora depois de mamar e havendo a certeza de que estava mesmo a mamar (e não a chuchar), então não é de fome.
E nem me falem no laço com o pai. É que com biberão o pai também pode participar na alimentação do filho logo que nasce... Mas das milhentas coisas que há para fazer com um bebé, porque hão-de imiscuir-se naquela que é exclusiva da mãe?? Toda a gente pode dar banho, embalar, mudar a fralda, deitar, ler histórias, cantar, brincar com o bebé. Mas só a mãe pode amamentar.
A minha história, neste aspecto, é uma seca. Amamentação completamente sem espinhas durante os 18 meses que durou e os biberãos que nos ofereceram serviram apenas quando o Gabriel começou a ficar com as avós. Sim, sou apologista da amamentação prolongada, sou contra o leite de vaca consumido por humanos e sou apologista de que, enquanto der, houver e a criança quiser, que haja mama! Nem que seja, como nós, de 1:30h em 1:30h! Porque, sabem, os bebés não sabem o que é o tempo e não sabem ver as horas. Lá porque o nosso médico diz que se deve dar de mamar apenas de 3 em 3h não quer dizer que o nosso bebé vá nessa conversa. :) E muitas vezes não vai!
Tenho pena quando conheço mães que desistem. Há várias razões para isso e, como disse acima, compreendo completamente. Mas tenho pena. É que não poupam umas largas dezenas de €, andam carregadas de tralha atrás e não têm a fantástica sensação de "levar o menino ao peito".
Estas fotos foram tiradas na Feira de Santarém, há um ano. Foram elas a minha inspiração....
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Férias em familia...???
Depois de muito tempo sem por cá pôr os dedos, cá "estemos". Nada melhor que umas merecidas, relaxantes e longas férias (forçadas para alguns...) para pormos a escrita em dia e contar as novidades parentais... :)
É que isto de férias não é uma coisa assim tão simples. Afinal, quem tem de se preocupar apenas consigo mesmo ou, no máximo, com a cara-metade, tem a coisa ligeiramente facilitada. Faça-se um orçamento, discutam-se planos e sonhos de viagens, vejam-se os dias que cada um dispõe, o "conduzes tu ou eu?" ou então o "vamos em low cost ou queres antes viajar com qualidade?"... Essas dúvidas tão pertinentes e que, às tantas, são metade da piada de ir de férias.
Mas quando se tem uma criança..... Ai minha mãe! E minha sogra também! Sim, porque se não levamos em linha de conta que os avós também querem ter o seu quality time com os netos e não passamos com eles nem que seja uns dias, cai o Carmo, a Trindade, a Sé e mais algumas igrejas da Baixa de Lisboa, de tão forte o terramoto emocional!
E esqueçam o argumento de que, no nosso caso pelo menos, as avós até tinham o netinho durante o dia, todos os dias, enquanto os papás estavam na longínqua Lisboa (afinal demoramos tanto tempo de transportes para lá chegar como apanhar o avião e chegar a Londres...). Não, esse argumento não pega porque.... enfim, não há porquê, simplesmente não pega!
É que férias são férias, caramba! Queremos ter o nosso pequeno connosco, nem que seja nestas miseras semanas de descanso... ou queremos mesmo? E aqui salta o slow parent que há em nós.
Vamos recordar, por breves instantes, as belas férias da nossa infância... Que as há para todos os gostos e feitios, sem dúvida. No entanto, e quando comparamos os cromos das memórias infantis, entre o nosso agregado familiar há uma diferença abismal: um participou em colónias de férias e o outro não. E isso, my friends, muda TUDO! É que aqueles singelos 15 dias sem a entidade parental, eram pura delicia! Não interessa se entre esses 15 dias se metia um fim-de-semana em que os pais iam visitar os petizes! Os restantes, vá, 14 dias, eram a liberdade!!! Com regras, claro, que ninguém pense que as colónias de férias, pelo menos há cerca de 20 anos atrás, eram um bandalho, que não eram! Mas eram regras de outras pessoas que não as mesmas 2 de sempre; e saía-se da rotina, espairecia-se um pouco, mudavam-se os ares (para ares de dormitórios bafientos, é certo!) e apanhava-se um bronze fantástico de tanto mar e tanta piscina.
Os outros, os que tinham pais para quem férias significava, invariavelmente, ir "para a terra", esses também mudavam de ares e de caras (embora as duas principais continuassem lá...), ainda mais quando as famílias eram grandes e havia sempre 2 ou 3 primos para entrar nas brincadeiras. Só que, visto à luz da distância do tempo, não sei se, tivessemos nós tido voto na matéria, não escolheriamos, na maior parte dos casos, a primeira situação.
Será que ainda hoje nos pareceria cruel "enviar" um pequenote de 5 ou 6 anos para uma colónia de férias? E pôr a coisa ao contrário: pareceria-nos a nós mal deixarmos o pequenote e irmos nós de férias?
Se a resposta à 2ª pergunta é SIM, então boa noite, não precisam ler mais.
Se ficam na dúvida ou se a resposta é NÃO.... Bem-vindo ao clube dos Destressados!
Pois que fomos para Itália, sim senhor! Fomos de 6 a 15, visitar as belas vistas de Assis, beber da espiritualidade franciscana na fonte, partilhar emoções (e pizzas e gelados e melgas mutantes e dores de pés e muito calor...) com um bando de gente, passear por ruas medievais e bosques centenários, dizer grazie e resistir à tentação de explicar o que é prego em Português (e pode ser tanta coisa...) e fomos só nós os 2. Sem dó nem piedade! Ora pois é!
Bem... também não foi assim tão fácil! Afinal, o puto tem ano e meio, tá giro que se farta, anda na fase engraçada de tentar dizer tudo o que ouve e saem coisas como "papo" quando quer dizer sapo e copo e sapato... Não foi nada engraçado deixa-lo!
Mas a verdade é que se ele fosse não ía aproveitar nada, nós não íamos aproveitar nada e o restante bando não ía ficar muito contente de cada vez que tivessemos de parar para mudar uma fraldita cagada...
Então o "piqueno" ficou entregue nas mãos muito capazes dos avós que deliraram com a possibilidade de o mimar... perdão, cuidar durante uma semanita. E sabem que mais? It was gooooood! (Jim Carrey em Bruce, o Todo-Poderoso).
Na verdade, as férias em familia são uma invensão moderna e muitas vezes pouco concretizavel. Claro que passamos o ano a trabalhar e longe uns dos outros no dia a dia. Então quem diz que durante aquelas 2 ou 3 semanas, temos de nos aguentar 24/24h e pacificamente?? Quem é que inventou isso?? Porque é nas férias que vamos ter disposição de ver 50 vezes os episódios do Pocoyo? Ou que vamos ter paciência para as músicas da Hannah durante toda a viagem até ao Algarve? Ou para aturar a montanha russa de humores de quem tem 16 anos e sabe tudo e não gosta de acampar porque não pode ver os Morangos ou actualizar o Facebook porque ainda não tem o telemóvel porreiro porque os pais são "xungas"? Ou os gostos/hábitos/horários alimentares dos filhos trintões que têm as próprias rotinas e nas férias acham que as nossas são pirosas e antiquadas e chatas?? ISTO é férias??!!
Bem... sim, se sofremos de algum mal maso-idealista tipo "a nossa família é perfeita, damo-nos todos super bem a todas as horas e aguentamos 3 semanas juntinhos!!". Para os restantes mortais há uma solução melhor: ir de FÉRIAS!!!
Deixar os putos com os avós 1 semana e ir curtir! Ou pô-los num dos inúmeros programas para crianças e jovens que há por aí (por exemplo http://www.upaje.pt/CamposdeF%C3%A9rias/Residenciais/Ver%C3%A3o/tabid/275/Default.aspx ou tantos tantos outros...) e ir curtir. Resumindo: ir curtir! Nem que seja preciso gastar o subsidio de ferias nas férias deles e passar esse tempo em casa ou a ir à praia na Costa de Caparica! Não interessa! O que importa é que eles divertem-se e trazem montes de coisas para partilhar, vêm com as baterias recarregadas de tanto apanhar sol, vêm com novos amigos, se calhar aprenderam algo novo e nós... descansamos que é para isso que as férias servem! E arranjamos paciência e vontade para ver mais uma vez o Nemo...
Boas férias!! :D
É que isto de férias não é uma coisa assim tão simples. Afinal, quem tem de se preocupar apenas consigo mesmo ou, no máximo, com a cara-metade, tem a coisa ligeiramente facilitada. Faça-se um orçamento, discutam-se planos e sonhos de viagens, vejam-se os dias que cada um dispõe, o "conduzes tu ou eu?" ou então o "vamos em low cost ou queres antes viajar com qualidade?"... Essas dúvidas tão pertinentes e que, às tantas, são metade da piada de ir de férias.
Mas quando se tem uma criança..... Ai minha mãe! E minha sogra também! Sim, porque se não levamos em linha de conta que os avós também querem ter o seu quality time com os netos e não passamos com eles nem que seja uns dias, cai o Carmo, a Trindade, a Sé e mais algumas igrejas da Baixa de Lisboa, de tão forte o terramoto emocional!
E esqueçam o argumento de que, no nosso caso pelo menos, as avós até tinham o netinho durante o dia, todos os dias, enquanto os papás estavam na longínqua Lisboa (afinal demoramos tanto tempo de transportes para lá chegar como apanhar o avião e chegar a Londres...). Não, esse argumento não pega porque.... enfim, não há porquê, simplesmente não pega!
É que férias são férias, caramba! Queremos ter o nosso pequeno connosco, nem que seja nestas miseras semanas de descanso... ou queremos mesmo? E aqui salta o slow parent que há em nós.
Vamos recordar, por breves instantes, as belas férias da nossa infância... Que as há para todos os gostos e feitios, sem dúvida. No entanto, e quando comparamos os cromos das memórias infantis, entre o nosso agregado familiar há uma diferença abismal: um participou em colónias de férias e o outro não. E isso, my friends, muda TUDO! É que aqueles singelos 15 dias sem a entidade parental, eram pura delicia! Não interessa se entre esses 15 dias se metia um fim-de-semana em que os pais iam visitar os petizes! Os restantes, vá, 14 dias, eram a liberdade!!! Com regras, claro, que ninguém pense que as colónias de férias, pelo menos há cerca de 20 anos atrás, eram um bandalho, que não eram! Mas eram regras de outras pessoas que não as mesmas 2 de sempre; e saía-se da rotina, espairecia-se um pouco, mudavam-se os ares (para ares de dormitórios bafientos, é certo!) e apanhava-se um bronze fantástico de tanto mar e tanta piscina.
Os outros, os que tinham pais para quem férias significava, invariavelmente, ir "para a terra", esses também mudavam de ares e de caras (embora as duas principais continuassem lá...), ainda mais quando as famílias eram grandes e havia sempre 2 ou 3 primos para entrar nas brincadeiras. Só que, visto à luz da distância do tempo, não sei se, tivessemos nós tido voto na matéria, não escolheriamos, na maior parte dos casos, a primeira situação.
Será que ainda hoje nos pareceria cruel "enviar" um pequenote de 5 ou 6 anos para uma colónia de férias? E pôr a coisa ao contrário: pareceria-nos a nós mal deixarmos o pequenote e irmos nós de férias?
Se a resposta à 2ª pergunta é SIM, então boa noite, não precisam ler mais.
Se ficam na dúvida ou se a resposta é NÃO.... Bem-vindo ao clube dos Destressados!
Pois que fomos para Itália, sim senhor! Fomos de 6 a 15, visitar as belas vistas de Assis, beber da espiritualidade franciscana na fonte, partilhar emoções (e pizzas e gelados e melgas mutantes e dores de pés e muito calor...) com um bando de gente, passear por ruas medievais e bosques centenários, dizer grazie e resistir à tentação de explicar o que é prego em Português (e pode ser tanta coisa...) e fomos só nós os 2. Sem dó nem piedade! Ora pois é!
Bem... também não foi assim tão fácil! Afinal, o puto tem ano e meio, tá giro que se farta, anda na fase engraçada de tentar dizer tudo o que ouve e saem coisas como "papo" quando quer dizer sapo e copo e sapato... Não foi nada engraçado deixa-lo!
Mas a verdade é que se ele fosse não ía aproveitar nada, nós não íamos aproveitar nada e o restante bando não ía ficar muito contente de cada vez que tivessemos de parar para mudar uma fraldita cagada...
Então o "piqueno" ficou entregue nas mãos muito capazes dos avós que deliraram com a possibilidade de o mimar... perdão, cuidar durante uma semanita. E sabem que mais? It was gooooood! (Jim Carrey em Bruce, o Todo-Poderoso).
Na verdade, as férias em familia são uma invensão moderna e muitas vezes pouco concretizavel. Claro que passamos o ano a trabalhar e longe uns dos outros no dia a dia. Então quem diz que durante aquelas 2 ou 3 semanas, temos de nos aguentar 24/24h e pacificamente?? Quem é que inventou isso?? Porque é nas férias que vamos ter disposição de ver 50 vezes os episódios do Pocoyo? Ou que vamos ter paciência para as músicas da Hannah durante toda a viagem até ao Algarve? Ou para aturar a montanha russa de humores de quem tem 16 anos e sabe tudo e não gosta de acampar porque não pode ver os Morangos ou actualizar o Facebook porque ainda não tem o telemóvel porreiro porque os pais são "xungas"? Ou os gostos/hábitos/horários alimentares dos filhos trintões que têm as próprias rotinas e nas férias acham que as nossas são pirosas e antiquadas e chatas?? ISTO é férias??!!
Bem... sim, se sofremos de algum mal maso-idealista tipo "a nossa família é perfeita, damo-nos todos super bem a todas as horas e aguentamos 3 semanas juntinhos!!". Para os restantes mortais há uma solução melhor: ir de FÉRIAS!!!
Deixar os putos com os avós 1 semana e ir curtir! Ou pô-los num dos inúmeros programas para crianças e jovens que há por aí (por exemplo http://www.upaje.pt/CamposdeF%C3%A9rias/Residenciais/Ver%C3%A3o/tabid/275/Default.aspx ou tantos tantos outros...) e ir curtir. Resumindo: ir curtir! Nem que seja preciso gastar o subsidio de ferias nas férias deles e passar esse tempo em casa ou a ir à praia na Costa de Caparica! Não interessa! O que importa é que eles divertem-se e trazem montes de coisas para partilhar, vêm com as baterias recarregadas de tanto apanhar sol, vêm com novos amigos, se calhar aprenderam algo novo e nós... descansamos que é para isso que as férias servem! E arranjamos paciência e vontade para ver mais uma vez o Nemo...
Boas férias!! :D
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