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domingo, 13 de março de 2016

Escolas na floresta

Há muitos anos li o livro "Under pressure - rescuing our children from the culture of hyper-parenting" de Carl Honoré (2008) que é um dos pontos de partida para este blog. Um dos assuntos que me chamou a atenção, no livro, foram as escolas na floresta. Investiguei um pouco e fiquei a saber que ainda eram poucas e, claro, todas no norte da Europa.

ha pouco tempo enviaram-me um email com esta reportagem onde dizem a importância de as crianças sentirem frio, se sentirem molhadas, e sobreviverem a isso. E é maravilhosos.
O pedagogo diz que em 17 anos levou apenas uma criança ao hospital. A razão? O pai passou-lhe com uma roda em cima do pé. Depois de ver as crianças subir ao topo de uma arvore, esta afirmação é espantosa.

Quem me dera que houvesse mais escolas em florestas, perto de riachos. Quem me dera que os nossos miúdos não passassem o dia enfiados em salas porque "está a chover" ou "está vento", e muitos deles quando vão ao recreio é um quadrado de cimento com brinquedos de plástico e chão de borracha.

Pode ser que um dia....

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Varicela

Depois de algum tempo, vimos partilhar as nossas ideias acerca de uma coisa tão simpática como são as doenças infantis. Em particular, queremos debruçar-nos sobre a fofinha da varicela, cujo surto anda pela escola do nosso "piqueno".

Ora a "amiguita" anda a chatear os mais pequenos desde, talvez, umas 2 semanas antes da Páscoa. Sim, essa data deslumbrante porque tivemos vários dias de descanso, já no ido mês de Abril.
Quando soubemos da notícia, o nosso primeiro pensamento de pais "des-stressados" foi Olha, porreiro, o puto fica já despachado desta doencita chata de criança, porque se for como a mãe e como o tio, que a tiveram com 12 e 17 anos respectivamente, vai ser muito mais aborrecido. E assim ficámos, calmamente à espera que a dita cuja nos fizesse uma visitinha e, oh que chatisse, lá tivesse o puto de ficar em casa durante uma semana.

O tempo foi passando e nada de aparecer borbulhagem. Até que, numa consulta rotineira com a nossa médica de família, comentámos o facto de o G., no meio de uma "epidemia" de varicela, não a ter apanhado ainda. Ela estranhou, já que a varicela é mesmo muito contagiosa e não sei quê e não sei que mais.
Até que disse Mas espera lá. Até quando é que lhe deu de mamar? Ao que eu respondo que foi até aos 18 meses. Aí está! Ele ainda tem os anticorpos da mãe, por isso ainda não apanhou e se apanhar vai ser uma coisita muito leve. Até agora confirma-se: nada de borbulhagem nem febres. Os coleguinhas já estiveram quase todos em casa de molho por causa do "bicho", mas o nosso continua fresco que nem uma alface. E nós contentinhos, que isto de ver filho doente parte o coração a qualquer um.

Agora o caso curioso é o do colega do G. que tem o cabide mesmo ao lado do dele. Na semana passada eu noto que ainda estava na prateleira do petiz a prendita do dia da Mãe que eles (i. e., as educadoras) com tanto carinho fizeram. Pergunto à auxiliar o que se passava com o menino ao que ela responde que está de férias prolongadas. Com a minha estranheza, ela acrescenta: É que, sabe, há pais que têm medo da varicela. Então enquanto não tiver passado o surto, ele não volta à escola. O quê?? então a criança está em casa, talvez há mais de um mês, porque os papás têm medo da varicela?! Saberão estes pais que a infecção pode ser grave ou até mortal nos adultos (http://www.manualmerck.net/?id=286&cn=1523)? Aparentemente não.

Mais um caso em que a hiper-protecção das crianças se pode virar contra elas. Esperemos que isso não aconteça com este menino.
E também mais um caso em que a amamentação prolongada pode ajudar a prevenir chatices. No entanto, ele que tenha a bendita da varicela! Mal não lhe vai fazer e a nós até sabia bem uns dias de "apoio à família" em casa. ;)

sábado, 20 de novembro de 2010

Há escolas assim...

Se há mais de um mês eu debatia-me com a guerra dos legumes, passado este tempo a coisa foi alterada de forma tão drástica que não posso deixar de vir aqui falar nisso.
É que do nem pensar em haver legumes à 2ª feira passamos a poder levar os nossos substitutos da carne, com um grande à vontade. Porque, embora em minoria, havia já 1 criança na sala do petiz que o fazia, o que facilitou a nossa vida.

Não é muito complicado para a creche aceitar estas pequenas alterações de ementa. Afinal, é só pegar naquilo que vem nas caixas bem identificadas com o nome da criança e em vez de pôr a carne no prato, botam o conteúdo da dita cuja caixa. Não lhes custa nada. Custa-nos a nós, que temos de seguir a ementa, preparar a alternativa de véspera, levar e trazer a caixinha... Mas, isto será algo que o "slow parent" de hoje em dia faça? Será que um pai despreocupado não seria mais feliz simplesmente aceitando a comida que a mensalidade da creche paga?

Pois.

Não.

Se quiserem perceber porquê de forma divertida, vejam isto. E engane-se quem pensa que isto é o que se passa nos Estados Unidos, que cá temos uma agro-pecuária muito mais salutar! Quem já alguma vez visitou ou sequer passou por uma vacaria sabe bem que não é assim! Quanto mais a procura, mas pressa de que os animais cresçam rápido, a todo o custo, para que dê lucro. E isso é verdade aqui, na França, na Austrália ou no Brasil!

O pai descontraído é o pai interessado, que se envolve em todas as facetas da vida do seu pequeno, mesmo (e especialmente) se está a maior parte do tempo longe dele. É também o pai que se preocupa em fazer a sua parte para que o seu filho possa viver num planeta, ainda assim, não totalmente degradado. ASs questões ambientais já não são só tema exclusivo de ambientalistas, mas de todos nós.

Enfim, como a Beata Madre Teresa de Calcutá diz (ou escreveu): O que eu faço, é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor.

Por isso, agradecemos à CAI a disponibilidade em aceitar as fraldas reutilizáveis do Gabriel e aceitar que levemos a "nossa" comida, para que pelo menos durante mais uns tempos, ele coma de forma saudável e sustentável.

Vocês deviam ser a regra, e não a excepção que a confirma! :)

domingo, 3 de outubro de 2010

A galinha e o ninho*

A expressão mãe galinha é fascinante. Principalmente quando já observámos a dita cuja em acção. De facto podia ser mãe loba, mãe leoa, mãe égua ou mesmo mãe golfinha, mas a verdade é que todas as progenitoras, nos primeiros tempos de vida das crias, não as largam nem um bocadinho. E a nossa espécie não é excepção. No entanto, quem quer ficar mais um tempinho a cuidar da cria humana, é chamada mãe-galinha....

O que eu acho engraçado é que, numa sociedade em que até há bem pouco tempo as mães ficavam em casa para cuidar dos filhos, se tenha passado para o oposto tão dramaticamente e sem dó nem piedade. Por exemplo, se uma pessoa até pensa que é correcto amamentar em exclusivo até aos 6 meses de vida, além de ser apelidada de louca, é impedida pela lei que só permite que as mães tenham 120 dias de licença de maternidade (paga a 100%). Vão me dizer que agora a lei mudou e que vai até aos 6 meses. Puro engano de quem não aprofundou a coisa: só há essa hipótese se receber apenas 80% do vencimento e partilhar a licença com o pai, que se contentará a dar o leite do bebé que a mãe tirar com a máquina e congelar.

E a licença de amamentação? Outra aventura! São 2 horitas por dia até a criança perfazer 1 ano, mas que quase ninguém goza porque os patrões e chefes não vêem com bons olhos a "colaboradora" chegar mais tarde e sair mais cedo durante esse tempo. O abuso....
Eu até encontrei uma solução que, no meu entender, beneficiava toda a gente: 4 dias a trabalhar a tempo inteiro e juntava as 8 (!) horas devidas à amamentação num dia só, o que permitia uma grande liberdade para tratar de assuntos diversos, ir ao médico com o petiz, dar uma limpeza na casa, enfim, o que tinha de ser feito quando não se tem empregada e os 2 dias do fim-de-semana não dão para tudo. Pois... durou uns meses. Aquando da renovação do contrato foi posta a questão "ou deixa essa história, ou o contrato não é renovado". O que se há-de fazer? A malta não vive só com 1 ordenado! Lá se enfiou um direito pelo cano e puxou-se o autocolismo.

É claro que não estamos mal, considerando outros países no resto do mundo (http://en.wikipedia.org/wiki/Parental_leave#Europe). De reparar que nos Estados Unidos da América, a licença de maternidade é 0 (zero) semanas.

No entanto, há os antípodas que são os nossos vizinhos europeus:
- Republica Checa - 2, 3 ou 4 anos de licença de maternidade, paga 100%;
- Áustria - 1 a 3 anos, paga 100%;
- Eslováquia - 3 anos, acrescido de mais 3 se a criança for deficiente. O estado paga 256€ por mês nos primeiros 2 anos, passando a 164,22€ daí em diante;
- Suécia e Noruega - 16 meses de licença paga, obrigatório que no mínimo 2 desses meses sejam gozados pelo progenitor minoritário (grosso modo, o pai);
- Estónia - 18 meses de licença paga;
- Bulgária - 1 ano de licença paga a 100%, o 2º ano pago ordenado mínimo;
- Eslovénia - 1 ano de licença paga a 100%;
- Dinamarca - 52 semanas (13 meses) mas 2 semanas têm de ser gozadas pelo pai;
- Reino Unido - 52 semanas (13 meses) de licença de maternidade ou adopção, das quais 39 semanas (cerca de 10 meses) pagas na totalidade e o restante tempo segundo uma taxa fixa.
- Irlanda - 6 meses pagos a 100%.

Eu disse que não estavamos mal, mas como eu acho que nos temos sempre de comparar com o que é melhor e não o contrário, então acho que podíamos estar bem melhor.
Claro que há sempre o argumento de que há nesta lista países com impostos muito superiores, que há outros países desenvolvidos (Alemanha e Holanda, por ex.) que têm o mesmo tempo de licença de maternidade que nós. E eu pergunto: eles estão contentes com isso?
Basta ver o que se passa na Alemanha para perceber que não (http://www.time.com/time/world/article/0,8599,1991216,00.html).

Com o estado das coisas em Portugal, ou seja, aumento de impostos e supressão de "abono de família" para quem, como nós, se situa miraculosamente nos escalões mais altos da Segurança Social (embora tenhamos IRS com apenas 1 a receber), então acho que só quem se safa são os mais ricos e os mais pobres, uns porque não precisam dos subsídios, os outros porque têm fracas noções de controlo de natalidade e recorrem a vários subsídios que os vão conseguindo manter à superfície. Creio que muito em breve a situação demográfica por cá também comece a entrar num estado crítico.

Então a classe média, como é que fica? Nos 1.5 filhos por família, a tentar desenrascar e esticar o único ordenado certo que entra em casa todos os meses, e a lamentar que esse mesmo ordenado não dê para que a mãe fique em casa com a cria e a tenha de deixar aos cuidados de avós e creches.

Podemos não ser galinhas, mas não somos exemplo para mais nenhuma espécie.

*desabafo de quem vai levar o filho pela primeira vez à creche, amanhã.