sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

7

"O número sete representa a totalidade, a perfeição, a consciência, a intuição, a espiritualidade e vontade. O sete simboliza também conclusão cíclica e renovação. Mas justamente por representar o fim de um ciclo e o começo de um novo, é um número que também traz a ansiedade pelo desconhecido." Retirado daqui.

Sete anos são, portanto, o encerramento de um ciclo ou, de uma forma mais positiva de ver as coisas, o inicio de outro.
 Não gosto muito de pensar sobre o que estava a acontecer há 7 anos atrás. Não foi uma experiência no geral muito agradável, mas o que resultou dela mudou a minha vida para sempre.

Porquanto um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado (Is 9:5) e com a sua chegada toda a nossa vida mudou.

Claro que um filho muda tudo na vida de todos os pais, por muito que até não queiram ou não admitam que mudou. Mas na minha, em particular, mudou de tal forma que me fez repensar na minha carreira, na minha atitude perante a vida, perante os amigos e mesmo perante a família.
Quando um bebé nasce, consigo nasce uma mãe. Uma mulher transforma-se de filha em mãe. E ao passarem os anos, ao ver-mos aquele ser pequenino e indefeso crescer e desenvolver-se numa criança que pensa e articula os seus pensamentos, interesses e medos, maravilhamo-nos com a nossa própria capacidade de viver com o coração fora do nosso corpo. Porque por muito que amemos os nossos companheiros e pais, são os nossos filhos que de facto são donos do nosso coração. Para sempre.

É um dos maiores prazeres da vida, ver crescer esta pessoa com todas as suas características, herdadas e adquiridas e intrínsecas. É fenomenal vê-lo aprender a conhecer o mundo, estimular a sua curiosidade, e aproveitar os momentos cada vez mais raros em que ele ainda me cabe no colo.

E é um prazer ver a boa pessoa na qual se está a tornar, ver desenvolver o seu gosto pelas coisas bonitas, ver o seu gosto pela leitura, pela música, pelos jogos, pela natureza; é um prazer ver a cara de nojo dos beijinhos, mas depois vir à procura de abracinhos; é um prazer ver o quão carinhoso é para com os irmãos, mesmo quando lhe moem a paciência até à exaustão.

Sempre desejei e rezei para que os meus filhos fossem, acima de tudo, saudáveis e boas pessoas. Sei que, enquanto escrevo isto a ouvir o palrar do mais novo, com o mais velho o meu desejo está a ser cumprido. Oxalá Deus queira que assim continue.
Insha'Allah!!

Parabéns primeiro G. L.!
Parabéns meu primeiro pequeno grande amor!

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Ar puro

Em alguns países nórdicos e noutros pontos do mundo há escolas na floresta (www.forestschools.com) em que os miúdos passam o dia inteiro na dita, fazendo actividades e aprendendo o que há a aprender no meio da natureza. Também aprendem a escrever, ler e contar, mas a maior parte do dia, sob sol, chuva ou neve, estão na rua. 
Nestes casos a taxa de infecções respiratórias é extremamente baixa. Basta as crianças não estarem fechadas num edifício, com ar condicionado e temperatura e humidade altas, onde os vírus adoram desenvolver-se, para que as crianças sejam mais saudáveis. 
E felizes. 

Mal comparando, basta vir à Fonte Limpa, terra dos avós paternos, ficam logo melhor das tosses e dos pingos no nariz, ganham novas cores e vitalidade. Brincam nos "bosques", procuram paus e pinhas, raposas e corujas.

E o maior plantou uma árvore! Agora só lhe falta escrever um livro e fazer....

Deixa lá. Tens tempo. :)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O nosso golfinho está doente...

E tudo em casa parece mais sossegado, ainda que ele esteja cá. Parece mentira. Qualquer dia de fim de semana com o 2G em casa e tudo anda em corropio. É o "furacão G" como eu lhe chamo. 

Mas hoje não. Não quer comer. Não quer brincar. Quer estar debaixo do cobertor estendido no sofá da sala. Quer estar encostado a mim (que por sinal também não estou famosa). É quer dormir na cama dos pais. 


Pobre golfinho, que apanhou um "bicho" que lhe tirou a energia e a vontade de brincar. 

E são dias como estes em que fico feliz por amamentar pois fazer biberões e tratar deste doente não seria nada nada fácil. 

Por outro lado, grata também pelos avós que levaram e foram buscar o mais velho à escola. Bem sei que se preciso fosse tínhamos amigos com quem contar, mas o apoio carinhoso dos avós é insubstituível! 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Ao ritmo do bebé

Admito que no nosso primeiro filho ainda estávamos muito endoutrinados para "impor ritmos" ao nosso bebé. Porque, afinal, as crianças gostam de estrutura, de rotinas, de fazer as mesmas coisas todos os dias. 

Não discuto que há crianças que de facto se sintam bem com uma estrutura rígida. No entanto, ao chegarmos ao 3º filho, já percebemos que se levarmos a vida ao ritmo dele sem "impor" ritmos externos, a nossa vida é muito mais fácil.
 
"Quanto é que ele dorme/come/toma banho?" 
A resposta é invariavelmente "Ele é que sabe!" 


E ao deixar ele "saber" quando quer comer e dormir, posso ter de fazer malabarismos com a hora de sair de casa, por exemplo, ou ter a noção de que as sestas no pano enquanto os manos brincam no parque são tão válidas como as dormidas na cama. Mas é mesmo assim. 

Ele vai lentamente encontrar o seu ritmo dentro da família onde nasceu, vai lembraremos habituar-se a dormir à mesma hora dos manos, a comer conosco. Mas para já, e como é o nosso lema, é sem "stress". 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Apoio à Amamentação


No mês passado senti-me quase uma VIP. Fui entrevistada 2 vezes! Em ambos os casos o assunto era o apoio à amamentação. Fiquei bastante honrada com ambos os convites e queria aqui deixar essa memória.
Primeiro para a revista Pais e Filhos.

Depois, e porque o Facebook também tem coisas boas e muitas amizades se fazem por lá, uma amiga facebookiana decidiu fazer um post no seu blog sobre amamentação onde incluiu também algumas perguntas para mim. Obrigada Ania.

Aqui ficam as perguntas da Ania e as minhas respostas... Para que mais mães sintam que têm onde se apoiar quando precisam.

  1. Podes apresentar um pouco o IBFAN e o que ele te trouxe de positivo para a tua vida enquanto mulher e mãe?
O IBFAN Portugal pertence a Mama Mater que é uma Organização Não Governamental. Somos, por isso, um membro oficial de a Rede Internacional Pró-alimentação Infantil (The International Baby Food Action Network), que conta com mais de 250 grupos espalhados por mais de 150 países em todo o mundo. (http://www.ibfanportugal.org/#!quem-smos/cq3b)
Além de me dar a oportunidade de ter uma formação em amamentação segundo os padrões da OMS (eu ja tinha uma formação anterior), o IBFAN Portugal permitiu-me tornar-me uma activista dos direitos de mães e bebés em terem informação isenta de influencias comerciais sobre a sua alimentação. Se ninguém “vigiar” as empresas, elas continuarão a tentar lucrar com o desconhecimento e com a fragilidade das recém mães.
  1. Fala-me um pouco sobre como vês o apoio à amamentação por parte dos organismos de saúde e dos profissionais de saúde nesta área.
Como em todo o lado, há bom e mau no nosso Sistema Nacional de Saúde (SNS). Ao longo destes 3 anos já encontrei profissionais muito bem formadas e com muita sensibilidade para as questões da amamentação, mas infelizmente estão em minoria. A maioria das mães que me chegam a pedir ajuda vêm de consultas onde os maus conselhos imperam. Mesmo assim, as que me procuram sabem instintivamente que o que lhes disseram não poderia ser completamente verdade e procuram alternativas.
  1. Tens notado uma evolução positiva ou negativa no que diz respeito à amamentação e à importância que ela tem nos primeiros anos de vida? Sentes que as recém mamãs têm consciência da importância do leite materno? Ou continuam a vê-lo apenas como alimento? 
Noto que o interesse pela amamentação tem aumentado, muito por causa dos empurrões que temos tentado dar ao “sistema”. Deveria haver maior publicidade e promoção da amamentação a nível nacional, para que as pessoas que a defendem não serem vistas como “fundamentalistas”.
Quanto às recém mães, depende de muita coisa. Depende da formação, da informação, do apoio em casa, do que elas de verdade querem. Na maioria, creio que ainda veem a amamentação como alimento sim.
  1. Para finalizar, podes falar de alguns dos mitos que levam a um maior numero de "desistências" por parte das recém mamãs e um conselho para todas as que lerem este artigo e estejam a preparar o ninho para uma nova vi(n)da?
Desde já, informação e apoio! Se querem amamentar, se acreditam que é o melhor para si mesmas e para o seu bebé, então o passo seguinte é ter alguma informação de como a coisa poderá correr e dos maiores obstáculos e como ultrapassa-los. E ter alguns números de telemóvel de conselheiras em aleitamento materno à mão, para o caso de não conseguir ultrapassar sozinha os obstáculos. O apoio das CAM não suplanta o apoio do companheiro, pelo que é importantíssimo que ele tenha a mesma informação e saiba da grande vontade que tem em amamentar. Porque nas alturas em que vamos abaixo com as dificuldades, são eles que têm de estar lá a lembrar-nos do porquê da nossa escolha e a lembrar-nos que amanhã será um novo dia.
Depois todos os mitos sobre a amamentação (leite insuficiente, fraco, que seca de repente, que estraga os bebés com mimos, que não pode comer nada, entre tantos outros) devem ser postos de parte e seguir o instinto. Se o bebé está a aumentar dentro da sua curva de crescimento, se parece feliz, se está a atingir os patamares de desenvolvimento para a sua idade, se a mãe não tem queixas ao amamentar, então está tudo a correr bem. É continuar até que ambos queiram! 


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Parabéns amor pequeno!

Parabéns porquê, se mesmo agora tem 3 meses?

É que são 3 meses cá fora e 9 lá dentro, o que faz um ano. Um ano de 3G nesta existência. Um ano de amor, carinho e ternura, que não começou apenas há 3 meses, mas sim a partir do momento em que umas pequenas células começaram a bater naquilo que seria o seu pequeno coração.


Estes três meses do lado de fora que hoje se completam, são chamados exterogestação, ou seja, a continuação da gestação fora do útero. Esta é uma noção que poucas pessoas têm, de que os bebés humanos nascem após cerca de 40 semanas de gestação porque senão os seus crânios não caberiam nas bacias de suas mães! Senão, ficariam pelo menos 13 meses (como as zebras, por exemplo) para saírem com o mínimo de ferramentas para se safarem na selva. Mas não, saímos pequenos e indefesos em todos os sentidos, após cerca de 9 meses, para os braços das nossas mães. E esperamos ficar nos braços delas durante bastante tempo. É isso que qualquer bebé humano espera: ficar nos braços de alguém.

A teoria da exterogestação explica o quanto a nossa sociedade está longe da norma biológica que rege todos os bebés. E de quão enganados estão a maioria dos pais nas expectativas que têm dos seus bebés quando nascem. Claro que vai só mamar de 3 em 3 horas e vai deixar de precisar das mamas da mãe aí pelos 4 meses. Claro que vai andar no seu carrinho de passeio sem chorar. Claro que vai ficar no "ovo" do carro sem reclamar. Claro que vai dormir a noite toda ainda no primeiro mês. Na sua cama. No seu quarto. Claro.

Infelizmente não é isso que o bebé humano espera. E lá se vão as expectativas por água abaixo. E lá vem a frustração, a depressão, o desespero, o choro, o bebé que não se acalma com nada, a amamentação que não funciona, o bebé que não aumenta de peso como o médico quer...

Este artigo está bastante completo sobre as expectativas dos pais e explica, com referências científicas, o porquê dos bebés não se comportarem como muitos pais esperam. Tal como eles próprios não se comportaram. Basta perguntar à sua mãe.



As coisas estão a mudar, felizmente. Há pessoas que começam a falar num tipo de parentalidade mais informada e mais ligada às verdadeiras necessidades do bebé. O que no fundo faz com que os pais voltem a um tipo de parentalidade mais natural e ancestral. Pessoas como a Mikaela Övén (que colabora com o Centro Pré e Pós Parto), como a Constança Ferreira (do Centro do bebé) ou como a Laura Sanches vão lançando luz sobre um novo paradigma de compreensão sobre a nova criatura que nos entra em casa passados os tais "9 meses". E muito além, claro.

Por isso, vou continuar a levar-te nos braços, meu amor mais pequeno, tal como fiz com os teus irmãos, amamentando-te até ambos querermos, carregando-te no pano e no sling para todo o lado, e dormindo contigo perto de mim para te ouvir respirar e ter a certeza de que cresces bem, saudável e feliz.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Não, não andavamos "à procura" ...

Já passaram 2 anos desde que soubemos que estava um 3G pila a caminho, mas volta não volta a frase vem à baila. "Andavam à procura da menina?" 
Vamos lá ver. Como é que se procura o sexo do suposto futuro bebé? Sim, eu sei que muitas pessoas juram que a posição A ou B no ato do amor "produz" menina ou menino. Mas, a sério, agora vamos andar a marcar posições definidas só por causa disso? 
E mais: porquê haver de querer ter em específico um filho ou uma filha? Mesmo sendo o 3º? Por ser diferente? Porque as meninas são não sei quê (há quem diga calmas, há quem diga próximas dos pais) que os rapazes? 
Claro que há diferenças entre rapazes e raparigas, nos gostos, na maneira de ser... Mas a verdade é que tudo o resto depende essencialmente da personalidade e da forma como são educados. Não há miúdo mais calmo que o nosso G. E é menino. 
Acho que no fundo a pergunta é o estereótipo de sempre, que a meta de qualquer casal é ter "o casalinho". Nós nunca quisemos isso. Sempre quisemos 3 filhos biológicos. Fosse qual fosse o sexo dos 3, qualquer que nos calhasse na rifa, qualquer que fosse a combinação. O nosso projecto de família passa pelo número de filhos, não o seu género. 
Por isso agora só me posso rir quando dizem "ainda vão à menina?"  
Claro! Quando pudermos, metemos os papéis para a adopção e seleccionamos que só queremos adoptar menina. E assim, a "procura" será mais certa de ter bom resultado.