terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Ar puro

Em alguns países nórdicos e noutros pontos do mundo há escolas na floresta (www.forestschools.com) em que os miúdos passam o dia inteiro na dita, fazendo actividades e aprendendo o que há a aprender no meio da natureza. Também aprendem a escrever, ler e contar, mas a maior parte do dia, sob sol, chuva ou neve, estão na rua. 
Nestes casos a taxa de infecções respiratórias é extremamente baixa. Basta as crianças não estarem fechadas num edifício, com ar condicionado e temperatura e humidade altas, onde os vírus adoram desenvolver-se, para que as crianças sejam mais saudáveis. 
E felizes. 

Mal comparando, basta vir à Fonte Limpa, terra dos avós paternos, ficam logo melhor das tosses e dos pingos no nariz, ganham novas cores e vitalidade. Brincam nos "bosques", procuram paus e pinhas, raposas e corujas.

E o maior plantou uma árvore! Agora só lhe falta escrever um livro e fazer....

Deixa lá. Tens tempo. :)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O nosso golfinho está doente...

E tudo em casa parece mais sossegado, ainda que ele esteja cá. Parece mentira. Qualquer dia de fim de semana com o 2G em casa e tudo anda em corropio. É o "furacão G" como eu lhe chamo. 

Mas hoje não. Não quer comer. Não quer brincar. Quer estar debaixo do cobertor estendido no sofá da sala. Quer estar encostado a mim (que por sinal também não estou famosa). É quer dormir na cama dos pais. 


Pobre golfinho, que apanhou um "bicho" que lhe tirou a energia e a vontade de brincar. 

E são dias como estes em que fico feliz por amamentar pois fazer biberões e tratar deste doente não seria nada nada fácil. 

Por outro lado, grata também pelos avós que levaram e foram buscar o mais velho à escola. Bem sei que se preciso fosse tínhamos amigos com quem contar, mas o apoio carinhoso dos avós é insubstituível! 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Ao ritmo do bebé

Admito que no nosso primeiro filho ainda estávamos muito endoutrinados para "impor ritmos" ao nosso bebé. Porque, afinal, as crianças gostam de estrutura, de rotinas, de fazer as mesmas coisas todos os dias. 

Não discuto que há crianças que de facto se sintam bem com uma estrutura rígida. No entanto, ao chegarmos ao 3º filho, já percebemos que se levarmos a vida ao ritmo dele sem "impor" ritmos externos, a nossa vida é muito mais fácil.
 
"Quanto é que ele dorme/come/toma banho?" 
A resposta é invariavelmente "Ele é que sabe!" 


E ao deixar ele "saber" quando quer comer e dormir, posso ter de fazer malabarismos com a hora de sair de casa, por exemplo, ou ter a noção de que as sestas no pano enquanto os manos brincam no parque são tão válidas como as dormidas na cama. Mas é mesmo assim. 

Ele vai lentamente encontrar o seu ritmo dentro da família onde nasceu, vai lembraremos habituar-se a dormir à mesma hora dos manos, a comer conosco. Mas para já, e como é o nosso lema, é sem "stress". 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Apoio à Amamentação


No mês passado senti-me quase uma VIP. Fui entrevistada 2 vezes! Em ambos os casos o assunto era o apoio à amamentação. Fiquei bastante honrada com ambos os convites e queria aqui deixar essa memória.
Primeiro para a revista Pais e Filhos.

Depois, e porque o Facebook também tem coisas boas e muitas amizades se fazem por lá, uma amiga facebookiana decidiu fazer um post no seu blog sobre amamentação onde incluiu também algumas perguntas para mim. Obrigada Ania.

Aqui ficam as perguntas da Ania e as minhas respostas... Para que mais mães sintam que têm onde se apoiar quando precisam.

  1. Podes apresentar um pouco o IBFAN e o que ele te trouxe de positivo para a tua vida enquanto mulher e mãe?
O IBFAN Portugal pertence a Mama Mater que é uma Organização Não Governamental. Somos, por isso, um membro oficial de a Rede Internacional Pró-alimentação Infantil (The International Baby Food Action Network), que conta com mais de 250 grupos espalhados por mais de 150 países em todo o mundo. (http://www.ibfanportugal.org/#!quem-smos/cq3b)
Além de me dar a oportunidade de ter uma formação em amamentação segundo os padrões da OMS (eu ja tinha uma formação anterior), o IBFAN Portugal permitiu-me tornar-me uma activista dos direitos de mães e bebés em terem informação isenta de influencias comerciais sobre a sua alimentação. Se ninguém “vigiar” as empresas, elas continuarão a tentar lucrar com o desconhecimento e com a fragilidade das recém mães.
  1. Fala-me um pouco sobre como vês o apoio à amamentação por parte dos organismos de saúde e dos profissionais de saúde nesta área.
Como em todo o lado, há bom e mau no nosso Sistema Nacional de Saúde (SNS). Ao longo destes 3 anos já encontrei profissionais muito bem formadas e com muita sensibilidade para as questões da amamentação, mas infelizmente estão em minoria. A maioria das mães que me chegam a pedir ajuda vêm de consultas onde os maus conselhos imperam. Mesmo assim, as que me procuram sabem instintivamente que o que lhes disseram não poderia ser completamente verdade e procuram alternativas.
  1. Tens notado uma evolução positiva ou negativa no que diz respeito à amamentação e à importância que ela tem nos primeiros anos de vida? Sentes que as recém mamãs têm consciência da importância do leite materno? Ou continuam a vê-lo apenas como alimento? 
Noto que o interesse pela amamentação tem aumentado, muito por causa dos empurrões que temos tentado dar ao “sistema”. Deveria haver maior publicidade e promoção da amamentação a nível nacional, para que as pessoas que a defendem não serem vistas como “fundamentalistas”.
Quanto às recém mães, depende de muita coisa. Depende da formação, da informação, do apoio em casa, do que elas de verdade querem. Na maioria, creio que ainda veem a amamentação como alimento sim.
  1. Para finalizar, podes falar de alguns dos mitos que levam a um maior numero de "desistências" por parte das recém mamãs e um conselho para todas as que lerem este artigo e estejam a preparar o ninho para uma nova vi(n)da?
Desde já, informação e apoio! Se querem amamentar, se acreditam que é o melhor para si mesmas e para o seu bebé, então o passo seguinte é ter alguma informação de como a coisa poderá correr e dos maiores obstáculos e como ultrapassa-los. E ter alguns números de telemóvel de conselheiras em aleitamento materno à mão, para o caso de não conseguir ultrapassar sozinha os obstáculos. O apoio das CAM não suplanta o apoio do companheiro, pelo que é importantíssimo que ele tenha a mesma informação e saiba da grande vontade que tem em amamentar. Porque nas alturas em que vamos abaixo com as dificuldades, são eles que têm de estar lá a lembrar-nos do porquê da nossa escolha e a lembrar-nos que amanhã será um novo dia.
Depois todos os mitos sobre a amamentação (leite insuficiente, fraco, que seca de repente, que estraga os bebés com mimos, que não pode comer nada, entre tantos outros) devem ser postos de parte e seguir o instinto. Se o bebé está a aumentar dentro da sua curva de crescimento, se parece feliz, se está a atingir os patamares de desenvolvimento para a sua idade, se a mãe não tem queixas ao amamentar, então está tudo a correr bem. É continuar até que ambos queiram! 


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Parabéns amor pequeno!

Parabéns porquê, se mesmo agora tem 3 meses?

É que são 3 meses cá fora e 9 lá dentro, o que faz um ano. Um ano de 3G nesta existência. Um ano de amor, carinho e ternura, que não começou apenas há 3 meses, mas sim a partir do momento em que umas pequenas células começaram a bater naquilo que seria o seu pequeno coração.


Estes três meses do lado de fora que hoje se completam, são chamados exterogestação, ou seja, a continuação da gestação fora do útero. Esta é uma noção que poucas pessoas têm, de que os bebés humanos nascem após cerca de 40 semanas de gestação porque senão os seus crânios não caberiam nas bacias de suas mães! Senão, ficariam pelo menos 13 meses (como as zebras, por exemplo) para saírem com o mínimo de ferramentas para se safarem na selva. Mas não, saímos pequenos e indefesos em todos os sentidos, após cerca de 9 meses, para os braços das nossas mães. E esperamos ficar nos braços delas durante bastante tempo. É isso que qualquer bebé humano espera: ficar nos braços de alguém.

A teoria da exterogestação explica o quanto a nossa sociedade está longe da norma biológica que rege todos os bebés. E de quão enganados estão a maioria dos pais nas expectativas que têm dos seus bebés quando nascem. Claro que vai só mamar de 3 em 3 horas e vai deixar de precisar das mamas da mãe aí pelos 4 meses. Claro que vai andar no seu carrinho de passeio sem chorar. Claro que vai ficar no "ovo" do carro sem reclamar. Claro que vai dormir a noite toda ainda no primeiro mês. Na sua cama. No seu quarto. Claro.

Infelizmente não é isso que o bebé humano espera. E lá se vão as expectativas por água abaixo. E lá vem a frustração, a depressão, o desespero, o choro, o bebé que não se acalma com nada, a amamentação que não funciona, o bebé que não aumenta de peso como o médico quer...

Este artigo está bastante completo sobre as expectativas dos pais e explica, com referências científicas, o porquê dos bebés não se comportarem como muitos pais esperam. Tal como eles próprios não se comportaram. Basta perguntar à sua mãe.



As coisas estão a mudar, felizmente. Há pessoas que começam a falar num tipo de parentalidade mais informada e mais ligada às verdadeiras necessidades do bebé. O que no fundo faz com que os pais voltem a um tipo de parentalidade mais natural e ancestral. Pessoas como a Mikaela Övén (que colabora com o Centro Pré e Pós Parto), como a Constança Ferreira (do Centro do bebé) ou como a Laura Sanches vão lançando luz sobre um novo paradigma de compreensão sobre a nova criatura que nos entra em casa passados os tais "9 meses". E muito além, claro.

Por isso, vou continuar a levar-te nos braços, meu amor mais pequeno, tal como fiz com os teus irmãos, amamentando-te até ambos querermos, carregando-te no pano e no sling para todo o lado, e dormindo contigo perto de mim para te ouvir respirar e ter a certeza de que cresces bem, saudável e feliz.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Não, não andavamos "à procura" ...

Já passaram 2 anos desde que soubemos que estava um 3G pila a caminho, mas volta não volta a frase vem à baila. "Andavam à procura da menina?" 
Vamos lá ver. Como é que se procura o sexo do suposto futuro bebé? Sim, eu sei que muitas pessoas juram que a posição A ou B no ato do amor "produz" menina ou menino. Mas, a sério, agora vamos andar a marcar posições definidas só por causa disso? 
E mais: porquê haver de querer ter em específico um filho ou uma filha? Mesmo sendo o 3º? Por ser diferente? Porque as meninas são não sei quê (há quem diga calmas, há quem diga próximas dos pais) que os rapazes? 
Claro que há diferenças entre rapazes e raparigas, nos gostos, na maneira de ser... Mas a verdade é que tudo o resto depende essencialmente da personalidade e da forma como são educados. Não há miúdo mais calmo que o nosso G. E é menino. 
Acho que no fundo a pergunta é o estereótipo de sempre, que a meta de qualquer casal é ter "o casalinho". Nós nunca quisemos isso. Sempre quisemos 3 filhos biológicos. Fosse qual fosse o sexo dos 3, qualquer que nos calhasse na rifa, qualquer que fosse a combinação. O nosso projecto de família passa pelo número de filhos, não o seu género. 
Por isso agora só me posso rir quando dizem "ainda vão à menina?"  
Claro! Quando pudermos, metemos os papéis para a adopção e seleccionamos que só queremos adoptar menina. E assim, a "procura" será mais certa de ter bom resultado. 

Upgrade para 3G

Passado que estão os primeiros 3 meses na vida do 3G, cá está a historia da sua chegada a este mundo, do lado de fora da barriga da mãe.

O primeiro sinal de que o dia chegara foi o romper da bolsa, de manhã, de forma muito subtil e suave. Ainda estava deitada quando, ao virar-me, senti liquido começar a escorrer. Pensei, como quase todas as mulheres devem pensar, se estaria a perder o total controlo dos esfíncteres, mas pela quantidade, cor e falta de cheiro, fiquei com a certeza de que era liquido amniótico. Fiquei super excitada e contente por finalmente ir ver o fofinho que andava a saltitar dentro de mim há 9 luas. Depois de verificar que estava tudo ok com o liquido e com o pequenote, resolvi voltar para a cama e descansar o máximo que conseguisse enquanto não vinham as contrações mais fortes.

Estas só começaram a aparecer depois dos manos mais velhos terem ido para a escola. Ele sabia que, agora sim, a mãe e o pai estavam 100% disponíveis para o receber. Entretanto as contrações que vinham eram bastante suportáveis e ainda com pouco ritmo. Tudo me fazia supor que iria ser um trabalho de parto demorado.

Com os headphones a ouvir Loreena Mackenitt, fui balouçando as ancas, ora em pé ora na bola de pilates, para ajudar o pequeno a encaixar. Sempre o senti bem, quase como se estivesse a dizer que estava feliz por ir sair de onde se sentia já tão apertado.
Entretanto ia trocando sms com a minha doula e com a minha mentora para me tranquilizar de algumas coisas. Também controlamos a tensão arterial e a minha temperatura para estarmos tranquilos em casa. A minha companheira de 4 patas não me deixou nem um bocadinho...



O pai almoçou descansado (eu não tinha muita fome. Apenas fruta e muita água) e acabou de tratar do que havia para tratar em casa para que fossemos para o hospital descansados. Primeiro pensei que talvez só devesse sair de casa depois das 4 da tarde para não apanhar a troca de turnos no HGO, mas pelas 13h as contrações tinham ganho ritmo e senti que não devíamos ficar em casa muito mais tempo. Ainda assim, saímos pelas 14h e qualquer coisa, já com contrações fortes e o meu pensamento a deambular pelas possíveis drogas que haveria à minha disposição no hospital e em como já me pareciam bastante apetecíveis.

Descer as escadas a perder liquido e com contrações não é agradável. Nem fazer a viagem entre Barreiro e Almada. Cada buraquinho ou pedrinha no caminho lançavam dores lancinantes e as contrações aumentavam 50 vezes de intensidade. Finalmente à porta do HGO, atravessar o átrio pé ante pé e entre contrações (devemos ter demorado uns 20 minutos num percurso que se faz em 5) e chegada à triagem já com gemidos durante as contrações. Mal passo a porta da triagem (agarrada à Sra do guichet porque o “pai não pode entrar”) a contração apanha-me de surpresa com vontade de fazer força. Daí até à marquesa da observação foi um turbilhão de emoções. “Já??? Não pode ser!! Espera bebé, ainda não estamos no sitio certo!!” A enfermeira fez e toque e confirmou que tinha a dilatação completa, com apenas um rebordo, Ouviu apenas o coração dele e confirmou também que ele estava bem. Ainda houve o compasso de espera de ver se o pequeno nascia logo ali na triagem ou se ainda chegava ao bloco e decidimos arriscar a viagem de cadeira de rodas até ao bloco. E foi uma viagem muito rápida.

Entramos na “box” da orquídea e pediram para eu subir para a marquesa, mas eu quis o banco. Prepararam o banco e, fazendo uso da “corda” que têm pendurada do tecto, pude finalmente fazer força com gosto (há um certo prazer em fazer força para o bebé nascer quando o corpo pede para fazer força!). Entre contrações sentia-o mais que descer; ele como que deslizava para fora. A enfermeira comentou isso mesmo, que ele estava a descer sem ajuda.



O pai, que entretanto tinha ido tirar o carro da entrada do hospital, chega mesmo a tempo. Sinto as mãos dele no meu pescoço e sei que estamos todos juntos. Faço força mais uma vez e a cabeça dele sai e quase que o resto escorrega atrás. A enfermeira começa a pedir desculpa, diz que vai ter de cortar. Eu fico preocupada e pergunto se é a mim que vai cortar, ao que ela responde que não, que “alguma vez lhe faria uma coisa dessas”, que é o cordão que é curto e tem um nó, pelo que precisa cortar.



Fê-lo e pouco depois a ultima contração fez com que o pequeno grande 3G deslizasse para o lado de fora de mim e para os meus braços. Quente, húmido, macio, a cheirar maravilhosamente, lavado no líquido que era abundante (não tinha vérnix quase nenhuma), fazendo uns barulhinhos adoráveis que nunca mais parou de fazer, como que a querer desde logo contar a sua historia e conversar com toda a gente.

 

Ficou pele com pele comigo durante hora e meia até que começamos a preparar para subir para o piso. Deu umas chupadelas nas maminhas (claro que às enfermeiras eu disse sempre que sim, que tinha mamado) mas ele queria mesmo era conversar. Pesado ao fim de uma hora, o veredicto foi 4290kg de gente.

Levei dois pontos (ainda perguntei várias vezes se valia mesmo a pena, mas disseram sempre que sim), aconselharam a levar oxitocina intramuscular depois da placenta sair para ajudar na contração uterina (não sei até que ponto ter levado ou não faria diferença, mas o pai foi de opinião de que era melhor e aceitei). De resto, não chatearam com mais nada, pelo contrário, pude ter refeições vegetarianas enquanto estive no puerpério, não houve picadelas por ele ser grande (apenas uma e foi enquanto ele mamava) e saímos para os manos finalmente conhecerem o bebé que estava escondido na barriga da mãe havia tanto tempo.

Eu acho que ele tem cara de do irmão mais velho. Vamos ver no temperamento a quem sai.
Seja como for, a sua chegada ao mundo foi rápida, intensa mas cheia de amor, carinho, respeito e alegria. Como deviam ser todas.