domingo, 23 de janeiro de 2011

Cães, gatos, crianças e alergias - ou o mito da hiper-higienização

Ando com vontade de adoptar um mamífero de quatro patas, mas fico sempre a pensar: e as alergias?? Então e o Gabriel não vai ficar pior das suas gripes e constipações com uma criaturinha de pêlo cá por casa?
Depois vi isto: Cães, gatos, crianças e alergias | ALERT® ONLINE

De facto, a nossa ideia de que as crianças não podem mexer em nada que é sujo e "animal" vem de onde? É que eu passei a minha infância a brincar com os bichos na casa dos meus avós, a fazer bolinhos de lama e a dar de comer às galinhas... Porque é que é um drama tão grande agora as crianças mexerem nos animais domésticos e não lavarem as mãos logo a seguir? Porque é que é preciso sabonetes anti-bacterianos?

Se calhar, não é preciso... :)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

E já agora...


Com muitos beijinhos cheios de carinho!

Menino ou menina...

É mais a preguiça que tem abundado que o tempo que tem faltado para escrever por aqui. No entanto, quando leio algo tãããoooo giro e com o qual me identifico tanto, é impossível não transcrever.
Foi retirado do blog da Mary e é simplesmente delicioso. E nós, como pessoas que andam nos treinos para os "round 2", concordamos plenamente!

Cá vai! (imagem retirada de http://www.homemsonhador.com/Politica.html)

Pró menino e prá menina
Porque esta semana temos ecografia das 21 semanas, e vamos poder, em princípio, se Sua Excelência permitir, saber o sexo do nosso baby novo, aqui ficam as minhas considerações sobre o assunto.
A 2a gravidez é bem diferente da 1a em algumas coisas (não muitas), e esta é uma delas.
Começamos com as reacções dos outros.
Como seria de esperar, seguindo a tradição bem portuguesa do "casalinho" (termo mais irritante, vamos ser honestos), são poucas as almas que não me perguntam "então agora vem a menina?", como se de uma obrigação se tratasse. Se à primeira é completamente indiferente, à segunda, não tem nada que enganar. Vir outro rapaz será estragar a hipótese do casalinho, e isso, meus senhores, não é bonito.
Sejamos sinceros, eu enquanto Mary, quero qb que seja uma menina. Para fazer o casalinho? Não, porque, como li num comentário genial num blog alheio, "não estou a pensar fazer criação", pelo que não preciso de um casal para coisa nenhuma.
Enquanto mãe, quero muito que venha um rapaz.
Passo a explicar.
Desde que engravidei desta segunda vez desenvolvi duas teorias opostas, que me vão permitir ficar igualmente feliz no dia em que souber o sexo deste baby.
Olhando à minha volta, acho que uma filha faz falta a qualquer mulher. Ah e tal, e os rapazes são mais chegados às mães (se é assim, nem quero pensar numa menina, que o meu rapaz é tão agarrado a mim que nem sei, uma miúda nem lhe devo por a vista em cima), e isso é tudo muito bonito, mas enquanto são crianças.
Depois crescem, e as mães envelhecem. E precisam de ajuda para escolher roupas adequadas a determinadas ocasiões, e precisam de opinião para mudar de visual, e precisam de companhia quando se sentem em baixo, e precisam de mandar bitaites a torto e a direito (é inato, está na massa do sangue das mães) em casa dos filhos e isso não funciona quando apenas se tem noras. Todas as mães que eu conheço que tem o famoso casalinho ou filhos rapazes e apenas 1 rapariga, acabam por contar muito mais com a ajuda da filha do que dos rapazes.
E nos casamentos, qual a mãe que tem mais protagonismo? A mãe da noiva.
E quando chegam os netos, em casa de quem os deixamos mais facilmente e com mais à vontade? Em casa das avós maternas.
Esperta foi a minha mãe, que à falta de 1, teve logo 3.
Por tudo isto e muito mais, eu sempre disse que se tivesse filhos de um só sexo, preferia que fossem raparigas. Como isso não vai ser possível, gostava de ter pelo menos uma.
E como não penso ficar por aqui, não precisa de vir a miúda agora, mas para o próximo a pressão, há que admitir, será muita.

Por outro lado, enquanto mãe, e acho que acontece a todas, não me vejo nada mãe de uma rapariga. Não sei o que isso é, e no meu íntimo acho que nasci para ser mãe de rapazolas, para jogar à bola todos os dias, para ter brincadeiras parvas e brutas, para fazer braços de ferro e não me preocupar com laços e bandoletes.

Por eles, espero que seja outro rapaz. Fazendo uma diferença de idades tão pequena, acho que vai ser muito mais giro pela vida fora.
Sendo um rapaz e uma rapariga, acho que há mais probabilidade de se virem a separar na adolescência.
Penso nos "casalinhos de irmãos" mais crescidos, e vejo que aqueles que continuam a dar-se o fazem, em parte, porque os respectivos cônjuges se dão bem também. Ora eu dou-me com as minhas irmãs, e combinamos cenas, e telefonamos, tudo à margem dos maridos.
Não quer dizer nada, eu sei, mas acho que dois rapazes tem mais probabilidade de serem os melhores amigos, hão-de sempre ter-se um ao outro para ir ao futebol e ir beber uma jola depois do trabalho.

A tudo isto, posso juntar a minha intuição maternal.
Eu tenho um feeling tão grande, mas tão grande, que há dias em que tenho a certeza absoluta que é rapariga, e outros em que juro a pés juntos que vem daí um rapaz.

Isto tudo para concluir, que sim malta, tal qual da 1a vez, o sexo é completamente indiferente.
O importante - olha o cliché - é que venha com saúde. Mai nada.


PS: é menina! :) Parabéns Mary!!! :D

sábado, 20 de novembro de 2010

Há escolas assim...

Se há mais de um mês eu debatia-me com a guerra dos legumes, passado este tempo a coisa foi alterada de forma tão drástica que não posso deixar de vir aqui falar nisso.
É que do nem pensar em haver legumes à 2ª feira passamos a poder levar os nossos substitutos da carne, com um grande à vontade. Porque, embora em minoria, havia já 1 criança na sala do petiz que o fazia, o que facilitou a nossa vida.

Não é muito complicado para a creche aceitar estas pequenas alterações de ementa. Afinal, é só pegar naquilo que vem nas caixas bem identificadas com o nome da criança e em vez de pôr a carne no prato, botam o conteúdo da dita cuja caixa. Não lhes custa nada. Custa-nos a nós, que temos de seguir a ementa, preparar a alternativa de véspera, levar e trazer a caixinha... Mas, isto será algo que o "slow parent" de hoje em dia faça? Será que um pai despreocupado não seria mais feliz simplesmente aceitando a comida que a mensalidade da creche paga?

Pois.

Não.

Se quiserem perceber porquê de forma divertida, vejam isto. E engane-se quem pensa que isto é o que se passa nos Estados Unidos, que cá temos uma agro-pecuária muito mais salutar! Quem já alguma vez visitou ou sequer passou por uma vacaria sabe bem que não é assim! Quanto mais a procura, mas pressa de que os animais cresçam rápido, a todo o custo, para que dê lucro. E isso é verdade aqui, na França, na Austrália ou no Brasil!

O pai descontraído é o pai interessado, que se envolve em todas as facetas da vida do seu pequeno, mesmo (e especialmente) se está a maior parte do tempo longe dele. É também o pai que se preocupa em fazer a sua parte para que o seu filho possa viver num planeta, ainda assim, não totalmente degradado. ASs questões ambientais já não são só tema exclusivo de ambientalistas, mas de todos nós.

Enfim, como a Beata Madre Teresa de Calcutá diz (ou escreveu): O que eu faço, é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor.

Por isso, agradecemos à CAI a disponibilidade em aceitar as fraldas reutilizáveis do Gabriel e aceitar que levemos a "nossa" comida, para que pelo menos durante mais uns tempos, ele coma de forma saudável e sustentável.

Vocês deviam ser a regra, e não a excepção que a confirma! :)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eu só pedi legumes!!!

Quer dizer, se tivesse insistido que os putos da creche comessem gelados e bolos ao lanche, todos os dias, eu percebia a reacção. Mas eu só pedi LEGUMES todos os dias à refeição!

Eu explico: primeiro dia de creche, certo? A mãe em lágrimas, o puto em lágrimas, mas vá que tudo vai correr bem e pronto, é a vida.
Volto para o apanhar à hora de almoço da criançada e até fico a dar uma mãozinha que isto de primeiros dias é um bocado complicado. E a "sopa" o que é?? Canja. Sim, daquela com massa e pedaços de carne e pele a boiar numa água engordurada. A única coisa verde era uma folhita de hortelã. Bem bom, pensarão alguns amigos que até comem duas tijelas da mistela, assim a haja no bar da faculdade. Pois....

Mas e o 2º pratinho dos meninos, o que era? Então, esparguete com almôndegas. Aiiii! Então a "sopa" não é sopa (desculpem mas o meu conceito de sopa não abrange massa e carne em água) e o prato é massa com carne?? Mas isto é sempre assim?

Vai esta mãe à secretaria e pergunta como é a ementa para o resto da semana. Aí vem a lenga lenga da sopa de espinafres, de nabiça, de cenoura. Muito bem, mas hoje foi canja. Onde estão os legumes? Resposta: "Como é segunda feira não há sopa de legumes porque não há legumes". O QUÊ??

Então a "directora pedagógica" quis impingir-me que a ementa, feita por uma nutricionista (não querendo ofender ninguém, mas já repararam que há cursos de nutrição à venda na net??) inclui um dia em que não há pinga de verdura ao almoço de crianças do 1 aos 5 anos de idade!! Porque não há verduras à 2ª feira!!! Ora, façam-me o favor de não insultar a minha inteligência!!

Pois minha querida, o meu filho TEM de comer verdura a todas as refeições, por isso se quiser ele trás de casa a sopinha dele. "Ah, mas isso é complicado. Oh mãe, é só um dia!! Pode sempre carregar nos vegetais à noite!"....
TÁ-ME A ACHAR COM CARA DE PARVA?? Então os médicos recomendam que se coma NO MÍNIMO 5 porções de verduras e fruta TODOS os dias, vocês na refeição do meio do dia não põem nada e ainda me mandam "carregar" de verduras a refeição da noite?! Estão a gozar, mas de certezinha!!!

Resultado: fica o compromisso de que o meu piqueno come a sopa dos menores de 12 meses (essa sim, tem sempre verdura, não sei vinda de onde pois se à 2ª feira não há....) e depois come o prato com os restantes. Não é um grande compromisso, mas é o que há.

Pergunta: O que fará esta directora pedagógica no dia em que lhe aparecer à frente um menino de família hindu ou budista? Ou mesmo um judeu ou um muçulmano? Também vai tapar o sol com a peneira com os pais? Também vai dizer para cumprirem as tradições e imposições religiosas só à noite?? Eu compreendo que um infantário não tenha de ter refeições à escolha de cada criança, ainda mais se é IPSS. No entanto, nos dias que correm, cada vez mais se deve apostar na diversificação alimentar.  Aliás, se não fosse pelo preço e pela distância, se calhar o nosso pequeno ia comer esta ementa. Será que é assim tão mais caro para a escola fazer uma refeição de tofu? E colocar mais vegetais? Tenho de mandar mail a perguntar qual é a/o nutricionista deles.

E mais. Vejam esta notícia:
"De acordo com o Ministério da Educação, a legislação prevê que os estabelecimentos de ensino forneçam dietas próprias a alunos com restrições alimentares medicamente comprovadas, mas o próprio secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, admitiu recentemente à Lusa que algumas escolas não estejam a cumprir. "As escolas têm obrigação de providenciar as condições para que a criança ou o jovem tenha essa alimentação [alternativa]. Mas admito que nem todas as escolas no país tenham condições para o fazer", afirmou na altura.".
Portanto a lei obriga, mas as escolas têm é de pensar na contenção orçamental, enquanto as "esquisitices" dos pais que até querem ter uma alimentação mais saudável e livre de hormonas e antibióticos fica para segundo plano.
Ou seja, o que eu vou fazer é ir ao médico e dizer-lhe, "Se faz favor, drª, passe-me uma declaração em como o meu filho precisa de comer vegetais a todas as refeições.". Vamos ver se assim já passa a haver legumes à 2ª feira!

São VEGETAIS, caramba!! Não são caramelos!! :P 

domingo, 3 de outubro de 2010

A galinha e o ninho*

A expressão mãe galinha é fascinante. Principalmente quando já observámos a dita cuja em acção. De facto podia ser mãe loba, mãe leoa, mãe égua ou mesmo mãe golfinha, mas a verdade é que todas as progenitoras, nos primeiros tempos de vida das crias, não as largam nem um bocadinho. E a nossa espécie não é excepção. No entanto, quem quer ficar mais um tempinho a cuidar da cria humana, é chamada mãe-galinha....

O que eu acho engraçado é que, numa sociedade em que até há bem pouco tempo as mães ficavam em casa para cuidar dos filhos, se tenha passado para o oposto tão dramaticamente e sem dó nem piedade. Por exemplo, se uma pessoa até pensa que é correcto amamentar em exclusivo até aos 6 meses de vida, além de ser apelidada de louca, é impedida pela lei que só permite que as mães tenham 120 dias de licença de maternidade (paga a 100%). Vão me dizer que agora a lei mudou e que vai até aos 6 meses. Puro engano de quem não aprofundou a coisa: só há essa hipótese se receber apenas 80% do vencimento e partilhar a licença com o pai, que se contentará a dar o leite do bebé que a mãe tirar com a máquina e congelar.

E a licença de amamentação? Outra aventura! São 2 horitas por dia até a criança perfazer 1 ano, mas que quase ninguém goza porque os patrões e chefes não vêem com bons olhos a "colaboradora" chegar mais tarde e sair mais cedo durante esse tempo. O abuso....
Eu até encontrei uma solução que, no meu entender, beneficiava toda a gente: 4 dias a trabalhar a tempo inteiro e juntava as 8 (!) horas devidas à amamentação num dia só, o que permitia uma grande liberdade para tratar de assuntos diversos, ir ao médico com o petiz, dar uma limpeza na casa, enfim, o que tinha de ser feito quando não se tem empregada e os 2 dias do fim-de-semana não dão para tudo. Pois... durou uns meses. Aquando da renovação do contrato foi posta a questão "ou deixa essa história, ou o contrato não é renovado". O que se há-de fazer? A malta não vive só com 1 ordenado! Lá se enfiou um direito pelo cano e puxou-se o autocolismo.

É claro que não estamos mal, considerando outros países no resto do mundo (http://en.wikipedia.org/wiki/Parental_leave#Europe). De reparar que nos Estados Unidos da América, a licença de maternidade é 0 (zero) semanas.

No entanto, há os antípodas que são os nossos vizinhos europeus:
- Republica Checa - 2, 3 ou 4 anos de licença de maternidade, paga 100%;
- Áustria - 1 a 3 anos, paga 100%;
- Eslováquia - 3 anos, acrescido de mais 3 se a criança for deficiente. O estado paga 256€ por mês nos primeiros 2 anos, passando a 164,22€ daí em diante;
- Suécia e Noruega - 16 meses de licença paga, obrigatório que no mínimo 2 desses meses sejam gozados pelo progenitor minoritário (grosso modo, o pai);
- Estónia - 18 meses de licença paga;
- Bulgária - 1 ano de licença paga a 100%, o 2º ano pago ordenado mínimo;
- Eslovénia - 1 ano de licença paga a 100%;
- Dinamarca - 52 semanas (13 meses) mas 2 semanas têm de ser gozadas pelo pai;
- Reino Unido - 52 semanas (13 meses) de licença de maternidade ou adopção, das quais 39 semanas (cerca de 10 meses) pagas na totalidade e o restante tempo segundo uma taxa fixa.
- Irlanda - 6 meses pagos a 100%.

Eu disse que não estavamos mal, mas como eu acho que nos temos sempre de comparar com o que é melhor e não o contrário, então acho que podíamos estar bem melhor.
Claro que há sempre o argumento de que há nesta lista países com impostos muito superiores, que há outros países desenvolvidos (Alemanha e Holanda, por ex.) que têm o mesmo tempo de licença de maternidade que nós. E eu pergunto: eles estão contentes com isso?
Basta ver o que se passa na Alemanha para perceber que não (http://www.time.com/time/world/article/0,8599,1991216,00.html).

Com o estado das coisas em Portugal, ou seja, aumento de impostos e supressão de "abono de família" para quem, como nós, se situa miraculosamente nos escalões mais altos da Segurança Social (embora tenhamos IRS com apenas 1 a receber), então acho que só quem se safa são os mais ricos e os mais pobres, uns porque não precisam dos subsídios, os outros porque têm fracas noções de controlo de natalidade e recorrem a vários subsídios que os vão conseguindo manter à superfície. Creio que muito em breve a situação demográfica por cá também comece a entrar num estado crítico.

Então a classe média, como é que fica? Nos 1.5 filhos por família, a tentar desenrascar e esticar o único ordenado certo que entra em casa todos os meses, e a lamentar que esse mesmo ordenado não dê para que a mãe fique em casa com a cria e a tenha de deixar aos cuidados de avós e creches.

Podemos não ser galinhas, mas não somos exemplo para mais nenhuma espécie.

*desabafo de quem vai levar o filho pela primeira vez à creche, amanhã.